Um dos principais articuladores políticos do governo, o secretário da Casa Civil, Caíto Quintana, afirmou que em dois anos de administração, que serão completados no próximo dia 1.º de janeiro de 2005, o governo estadual teve muito mais acertos que erros e somente foi criticado por aqueles setores que tiveram seus interesses contrariados em medidas adotadas em favor da maioria da população.

Para 2005, a previsão do secretário é que o governo recompõe sua base de apoio na Assembléia Legislativa, desfalcada pela declaração de independência do PT, sem maiores dificuldades. E no ano seguinte, 2006, o chefe da Casa Civil acredita que PT e PMDB subirão novamente juntos ao palanque da sucessão estadual, a exemplo do que ocorreu em 2002 e nas eleições municipais deste ano.

No cenário projetado por Quintana, em entrevista concedida a O Estado na última quarta-feira (22), existe uma possibilidade real de reeleição do governador Roberto Requião (PMDB) em 2006, que terá como concorrente uma candidatura de oposição, que ao contrário do que sinalizam as forças adversárias do governo, capitaneadas pelo PSDB e PDT, não seria exatamente a do senador Osmar Dias (PDT). "Existe uma articulação da oposição na forma de uma candidatura que não está clara. Fala-se muito no senador Osmar Dias, mas será mesmo? Tenho muitas dúvidas sobre isso", comentou o secretário.

Para Quintana, as eleições estaduais não serão descoladas da disputa presidencial e, nesse caso, o PSDB que já se posiciona no palanque adversário ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terá que montar chapas fortes também nos estados. "O PSDB está se apresentando como um partido com um candidato a presidente da República. É evidente que um partido com candidato a presidente irá ter nos estados eleitoralmente expressivos um candidato próprio. E o senador Osmar Dias não está no PSDB. Esse imbroglio existe e a oposição vai ter que resolver", comentou.

Já do lado do PMDB, Quintana acredita que as mesmas forças que apoiaram a eleição de Requião em 2002 poderão se reaglutinar e incluir outros partidos. "Seja no primeiro ou no segundo turno das eleições, contamos com essa possibilidade. Mas o processo é longo e tanto do nosso lado, como do lado da oposição, o cenário ainda não está bem montado", observou.

Mesmo com a distensão recente entre PMDB e PT – a aliança entre os dois partidos foi desfeita em reunião do diretório estadual há uma semana – o secretário da Casa Civil avalia que as divergências não sobrevivem até 2006. "É muito provável que o PT esteja com a gente. Porque há uma identificação forte da base do PT no Paraná com a forma de administrar do Requião. Temos, é claro, alguns percalços com alguns políticos do PT. Mas do mesmo modo que também temos problemas com políticos do PMDB. Então, é plenamente administrável", afirmou.

O fracasso da aliança entre PMDB e PT em Curitiba nas eleições municipais deste ano não vai interferir no processo da sucessão estadual, acredita o secretário da Casa Civil. Para ele, foi apenas uma composição que não deu certo, dentro de um contexto muito específico no maior colégio eleitoral do estado e que não reflete as discordâncias entre os dois partidos. "Eleição é isso. Nem sempre obedece a uma seqüência de vitórias, principalmente quando se disputam esferas diferentes de poder. Acho que a composição PT-PMDB em Curitiba foi muito bem votada. Mas a eleição na capital é sempre diferente e não tem vencedores antecipados", analisou.

Adesões

Na Assembléia Legislativa, Quintana não vê motivos para sobressaltos na base do governo. "O governo sempre teve uma base amplamente majoritária. Mas sempre teve uma negociação permanente. Vai continuar assim, como sempre foi, antes e depois da nova posição do PT", disse o secretário. Ele voltou a dizer que o PT já não votava integralmente com o governo e que esta situação não se altera para 2005. "O PT sempre teve três ou quatro votos permanentes com o governo. Não vai mudar", afirmou.

Mas assinalou que o governo pode ganhar reforços em outras bancadas. "Não vou citar nomes, mas há diversos deputados de outros partidos, cujas bancadas não têm orientação de aliados, mas que individualmente votam com o governo", comentou.

Quintana discorda da leitura feitas por setores do PT, que vêem na posição de alinhamento de Requião ao grupo peemedebista que defendeu a saída do governo Lula uma forma de o governador paranaense se cacifar para a disputa presidencial de 2006, como o contraponto do PMDB ao PT. "O Requião não tem manifestado este desejo de ser candidato a presidente. Embora, é bom que se saiba, ele seja instado permanentemente a ser candidato, como uma alternativa à dualidade política que se desenha em 2006, entre PSDB e PT", observou.

Correção de desacertos anteriores

No plano administrativo, o secretário da Casa Civil, Caito Quintana, disse que o governador Roberto Requião (PMDB) está encerrando um ciclo de dois anos, que foi marcado pela correção de desacertos legados pelo governo anterior. Para o secretário, uma das ações que gerou o maior número de críticas ao governo, como a revisão e suspensão de contratos, foi o maior acerto nesta primeira metade da gestão Requião. "Foi a anulação e suspensão de contratos considerados lesivos ao interesse público que nos permitiu recuperar as finanças públicas e fazer os programas sociais", disse.

Quintana considera que o bombardeio às ações do governo sobre contratos, que gerou até a expressão "Risco Requião", partiu de setores isolados. "O importante é quem fez a crítica. Quem passou a criticar asperamente o governo foram os interesses contrariados. Não foi a população", comentou.

Mas o secretário admite que pelo menos num ponto, o governo não tem recebido aplausos da população: a questão das tarifas de pedágio. Ao contrário da oposição e de alguns peemedebistas, o secretário da Casa Civil não vê como equívoco a promessa feita pelo governador durante a campanha eleitoral de reduzir as tarifas ou acabar com o pedágio. "Não acho que tenha sido um erro. Foi e continua sendo um objetivo perseguido insistentemente pelo governo. Tivemos vários embates judiciais e continuamos alimentando a expectativa de vencê-los. A luta continua", resumiu.

Para Quintana, a frustração da população decorre do desconhecimento do esforço do governo para conter a tarifa. "Ao mesmo tempo que há um clamor popular contra estes custos, a população tem dificuldades de enxergar a luta que o governo está travando", comentou.

O secretário acha que a solução para o impasse do pedágio está na implantação do pedágio de manutenção. "O estado continua aberto a uma discussão sobre a redução negociada de preços, onde possamos estabelecer o pedágio de manutenção, em que o preço das obras que serão executadas daqui a dez anos não interfiram nas planilhas dos preços cobrados atualmente", disse.