Ao formalizar o apoio do PTB à candidatura de José Serra (PSDB) no segundo turno da disputa paulistana, o presidente estadual da sigla, deputado Campos Machado, cobrou espaço em uma eventual administração tucana, mas disse que negociar cargos antes da eleição é “venda da consciência”.

“Se nós vencermos as eleições é natural que o PTB tenha espaço, mas não se pode negociar cargos antecipadamente, porque é venda de consciência, é venda de alma, e nós não estamos aqui para vender nada”, discursou no diretório do partido.

O PTB compunha a chapa de Celso Russomanno (PRB) com Luiz Flávio D’Urso na vice. Receberam 22% dos votos válidos no primeiro turno, atrás de Serra (31%) e do petista Fernando Haddad (29%).
Machado também criticou a nomeação de Marta Suplicy no Ministério da Cultura após o início da participação dela na campanha petista.

“Não estamos barganhando nada, não estamos pedindo ministério nenhum. Não temos candidato a ministério da Cultura nem da Educação”.

Em seu discurso, o candidato tucano disse também ser agora “o José Serra do PTB” e afirmou que não houve negociação de cargos em troca do apoio. “Se depois vamos estar juntos e de que maneira, é assunto para depois da eleição.”

Diferentemente de outros eventos, Serra não citou o mensalão. O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson – que não estava presente -, é o delator do escândalo e foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Guerra

Machado convocou os aliados para “uma nova guerra” e afirmou que não aceitará dissidências. “Quem não quiser apoiar que silencie. Não expulso ninguém que tem mandato, prefiro cassar por infidelidade partidária.”

Criticou ainda o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Haddad, escolhido por ele para disputar a prefeitura pelo PT. “A cidade não pode ficar à mercê de marionetes. Quem esse homem pensa que é? Deus?”