A bancada do PT na Câmara dos Deputados começará a recolher na próxima terça-feira, 16, véspera do recesso parlamentar, as 171 assinaturas necessárias para levar ao plenário a proposta de plebiscito para a reforma política. Paralelamente à coleta de assinaturas para aprovação do decreto parlamentar convocando a consulta popular, o PT discutirá com a bancada na segunda-feira, 15, quem será seu representante no grupo de trabalho criado pelo presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para apresentar uma proposta de reforma política.

A instalação do grupo foi adiada para a próxima semana após um “curto-circuito” entre deputados petistas Henrique Fontana (RS) e Cândido Vaccarezza (SP). Ambos disputam a coordenação do grupo, sendo que o primeiro foi indicado pelo partido e o segundo foi convidado por Alves. “Uma comissão que quer resolver, não pode começar não resolvendo ela própria”, criticou nesta quarta-feira, 10 o presidente da Câmara. Alves disse esperar que o partido entre num acordo, se unifique e seja pacificado até o final da semana para que o grupo inicie os trabalhos e apresente uma proposta de reforma em 90 dias.

O líder do PT, José Guimarães (CE), evitou polemizar e disse que o impasse só será resolvido na segunda-feira. “É uma questão interna do PT”, tergiversou.

Artigo

Nesta quinta, a assessoria da bancada do PT divulgou um artigo em que Guimarães defende o plebiscito enterrado pela Câmara e diz que os partidos não podem “ter medo de ouvir o povo”. “É preciso ficar claro que ouvir a população é o meio mais legítimo para reforma política, não é um caminho meia sola como defende a oposição PSDB/DEM e PPS, que a limita a um referendo”, afirma o parlamentar.

Guimarães ressalta que o tema está em discussão há 15 anos no Congresso e não avança por falta de consenso sobre os pontos polêmicos. “O plebiscito é a saída, é o diferencial da reforma que tantas vezes já foi discutida no Congresso Nacional. É a melhor forma de destravar o debate e instituir uma reforma política duradoura e que oxigene nossa democracia”, defende.

O deputado finaliza dizendo que o Parlamento não pode “ficar surdo às vozes das ruas” e que a proposta da presidente Dilma Rousseff retrata o sentimento da população insatisfeita. “O plebiscito vai ao encontro dessas expectativas. A sociedade deve ser ouvida sempre, pois é dela que emana o poder que exercem os seus representantes”, conclui o petista.