Debates acalorados, empurrões e brigas ficam só no Plenário. Apesar do forte clima de polarização política que marcou o ano de 2019 na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), PT, PSDB e PSL têm uma lista de projetos apresentados em conjunto no ano passado.

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O texto que reuniu o maior número de parlamentares foi o que renomeia o Parque Helena, na zona leste da capital paulista. Pela proposta, o local passa a ser chamado de “Parque Maria Cristina Hellmeister de Abreu”, em homenagem a uma das fundadoras do Centro de Tradições Nordestinas de São Paulo, falecida em outubro.

Maria Cristina também presidiu a ala feminina do Podemos e é mãe da deputada federal e presidente do partido, Renata Abreu. O projeto recebeu o pedido de coautoria de 30 parlamentares de 13 partidos – entre eles PT, PSDB e PSL.

O deputado José Américo (PT) minimiza as diferenças com o PSL. Ele atribui os desentendimentos no Plenário à disputa ideológica, mas garante que existe possibilidade de unidade quando o Parlamento se debruça sobre questões concretas. “A Assembleia é um lugar de negociação e conversa. A gente dialoga com o PSL. Não tem muitos pontos coincidentes, mas tem alguns”, sustenta. O parlamentar lembra que parte do PSL chegou a se juntar a partidos de oposição na Alesp, como o PT, na tentativa de barrar pontos da reforma da previdência estadual. Os deputados voltaram ao trabalho após o recesso nessa segunda-feira, 3.

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PT e PSL voltaram a se encontrar na autoria de outro projeto de lei, que determina prioridade na assistência a policiais que forem vítimas de violência no exercício da profissão. O projeto, inicialmente proposto pela Bancada Ativista (PSOL), recebeu pedidos de coautoria de dez deputados de PSOL, PROS, PSL, Republicanos, PT, PL e PSB.

“A questão partidária é muito forte na Alesp. No final, a política é um mercado onde se disputam votos”, afirma Raquel Marques, codeputada da Bancada Ativista. Ela comemora a união de partidos como PT e PSL na autoria do projeto de lei que dá prioridade ao atendimento de policiais agredidos em serviço. “Existem opiniões diferentes sobre a atuação dos policiais. O que ninguém diverge é de que eles precisam de mais suporte. A gente conseguiu se encontrar na humanidade”, analisa.

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Parte da bancada feminina deixou as diferenças ideológicas de lado na apresentação de outro texto, assinado por cinco deputadas de PL, PSL, PT, Republicanos e PCdoB. O projeto institui a política pública chamada de “Menstruação sem tabu”, que pretende promover ações educativas sobre a menstruação e distribuir absorventes de forma gratuita.

O primeiro ano da nova legislatura foi marcado por acalorados debates ideológicos entre representantes da esquerda e da direita. Já na diplomação dos eleitos, em dezembro de 2018, houve confusão com direito a vaias aos parlamentares petistas e gritos de “Lula livre”. Em dezembro de 2019, o deputado Arthur do Val (sem partido), o Mamãe Falei, quase trocou socos com colegas após chamar de “vagabundos” os manifestantes contrários à reforma da previdência estadual.

O Conselho de Ética da Alesp atingiu a marca recorde de 21 denúncias ou representações recebidas por quebra de decoro parlamentar – a maioria dos processos envolve parlamentares de PSL, PSOL e PT.

Janaina Paschoal (PSL), que integra a autoria do projeto da “Menstruação Sem Tabu” com PT e PCdoB, também afirma trabalhar em cima de pautas. “Quando você concorda com alguém por ser aquela pessoa, você já começa errando. Quando você discorda só por ser aquela pessoa também”, diz a deputada, que assegura que o partido não é importante na hora de apoiar “boas ideias”.

Em outro caso, os interesses da base eleitoral levaram à união de PT, PSDB e MDB. Três parlamentares das siglas se juntaram para pedir a classificação de Euclides da Cunha Paulista, no oeste do Estado, como município de interesse turístico. O título permite que o governo local receba recursos estaduais para investir na infraestrutura turística.

Um dos autores da proposição, Mauro Bragato (PSDB) relata que a autoria conjunta foi um pedido dos vereadores do município para facilitar sua tramitação. Ele divide a autoria da proposta com Márcia Lia (PT) e Itamar Borges (MDB). “Sempre há um caminho para conversar, para dialogar, para apresentar projetos em conjunto. A gente sempre fica satisfeito de estar junto, mas, nos dias atuais, as coisas estão mais difíceis”, argumenta o deputado.

Dia do samurai e heavy metal

Dos 1.340 projetos apresentados em 2019, 41% estão relacionados a interesses turísticos, utilidade pública de entidades, datas comemorativas e denominações. As propostas de denominação de espaços públicos somaram 166 em 2019. Professores (17) e profissionais ligados à carreira policial (10) foram os que mais receberam homenagens nos casos em que a profissão acompanha o nome do homenageado.

Outras 139 proposições solicitaram o reconhecimento de utilidade pública de entidades e 133 demandaram a classificação de municípios como de interesse turístico ou estância turística.

A instituição de dias, semanas ou meses comemorativos totalizaram 70 projetos, entre os quais estão alguns dos mais inusitados apresentados na Alesp em 2019. A deputada Valeria Bolsonaro (PSL), por exemplo, quer instituir o “Dia do Cover” no Estado, para promover a valorização da profissão artística. O “Dia do Samurai” e o “Dia do Heavy Metal”, respectivamente dos deputados Coronel Nishikawa (PSL) e Coronel Telhada (PP), também aguardam deliberação da Alesp.

O município de Tupã, no oeste paulista, pode se tornar a “capital estadual do lanche” se uma proposta do deputado Ricardo Madalena (PL) for aprovada. Segundo consta na justificativa do projeto, é uma homenagem ao “sabor e o modo peculiar de preparo oferecidos pelas lanchonetes tupãenses”.