O PT e a campanha da candidata Dilma Rousseff partiram para o contra-ataque ao candidato José Serra (PSDB) no escândalo da quebra de sigilo fiscal de integrantes da cúpula tucana e de Verônica Serra, filha do presidenciável. O presidente do PT e coordenador da campanha de Dilma, José Eduardo Dutra, pediu formalmente à Polícia Federal (PF) que anexe à investigação as notícias publicadas na imprensa dando conta de que a coleta de informações sobre os tucanos teria partido de Minas Gerais, em reportagens do jornalista Amaury Ribeiro Jr.

Na prática, Dutra solicita à PF que apure se o suposto dossiê com dados sigilosos de tucanos obtidos ilegalmente teria sido resultado de um fogo amigo no PSDB durante o período em que o governador de Minas, Aécio Neves, enfrentava uma disputa interna com Serra em torno da escolha do candidato à Presidência da República da legenda. É o que relata uma das reportagens anexadas pelo PT no pedido.

O dirigente petista negou que esteja fazendo insinuações e acusando indiretamente Aécio Neves de ter interesse e de estar por trás da devassa em dados fiscais de Verônica Serra, do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, de Ricardo Sérgio e Marin Preciado, cunhado de Serra.

“Nós não vamos fazer qualquer acusação ou ilação com relação aos responsáveis pelos fatos dessa natureza”, disse Dutra. “Cabe à PF fazer investigação entre um episódio e outro, considerando que há informações de coleta de material jornalístico.” Uma das reportagens, publicada na revista Época desta semana, relata que Amaury Jr. trabalhava para o jornal O Estado de Minas, onde foi escalado para fazer investigações sobre pessoas ligadas a Serra.

Interesse

De acordo com a reportagem, o interesse do jornal poderia estar relacionado ao apoio que a empresa deu ao projeto de candidatura presidencial de Aécio, encerrada meses depois. Ainda segundo a reportagem, o jornalista, depois que deixou o jornal, teria manifestado interesse em levar as informações para a campanha de Dilma.

“Todas as matérias dizem respeito às investigações feitas contra pessoas do PSDB”, afirmou Dutra. O interesse, segundo o dirigente petista, é verificar as relações da investigação jornalística com a quebra de sigilo fiscal. “Há coleta de informações feita em Minas sobre o PSDB, queremos que investigue que grau de veracidade tem isso e a relação entre os dois casos.”

Entre os pedidos, Dutra quer que a PF ouça Amaury Jr. na investigação do vazamento de informações. Além do texto da Época, o PT pediu a inclusão de reportagens publicadas na revista Carta Capital de 21 de junho de 2010 e do jornal Folha de S.Paulo de 5 de junho de 2010.

Antecipação

O PT antecipou de sábado para quinta-feira o comício da candidata Dilma Rousseff, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Ribeirão Preto, no interior paulista. Segundo o partido, a mudança foi motivada pela agenda de Dilma e não pela do presidente. O evento acontecerá às 18 horas na esplanada do Theatro Pedro II, região central da cidade.

O comício é um dos cinco previstos pelo PT para setembro no Estado de São Paulo. A série começou sábado em Guarulhos, na Grande capital paulista. Após Ribeirão Preto, estão previstos comícios em Campinas (dia 18) e São Paulo (dia 25), além de outro ainda sem confirmação na Baixada Santista, no dia 27.