PT e peemedebistas ensaiam a paz

Após ameaças de rompimento e discussões acaloradas, as bancadas do PMDB e PT caminham para um acordo na Assembléia Legislativa, na definição da presidência da Comissão de Constituição e Justiça. O PT apresentou ontem uma proposta de conciliação em que mantém Hermes Fonseca na presidência da CCJ, como o PMDB queria, mas, em troca, indica os presidentes das Comissões de Orçamento e Agricultura. Ou seja, os petistas que comandavam duas comissões no ano passado – CCJ e Educação – passam a ter uma terceira, a segunda mais cobiçada que é a de Orçamento.

Como o PMDB também recuou na beligerância. O líder da bancada, deputado Antônio Anibelli, disse que retirava o veto ao nome de Elton Welter – era o nome mais provável a ser indicado pelo PT para a CCJ – e já manifestava ontem a disposição de fechar o acordo com os petistas.

Enquanto negociavam as comissões, outra crise surgiu no relacionamento PT e PMDB. O líder do governo, Natálio Stica, avisou ao governador Roberto Requião (PMDB) que entregaria o cargo se não houver mais disciplina por parte de integrantes do PMDB. O estopim foi a votação de um veto do governo ao projeto de autoria do deputado peemedebista Nereu Moura, criando a Região Metropolitana de Cascavel. Stica descobriu que Moura articulou com a bancada de oposição a derrubada do veto, quando a orientação era pela sua manutenção. No final, o veto saiu de pauta, mas não sem antes o governador prometer ao líder do governo que vai chamar a bancada peemedebista para uma conversa. "Quero ser respeitado", afirmou Stica. Comissões

No caso das comissões, o líder do PMDB disse que seu partido não vai perder o PT como aliado por causa da disputa pela presidência das comissões, mas considerou uma vitória da sua bancada a proposta do PT de manter Fonseca na CCJ. "Eles forçaram, mas não tiveram êxito. Então, tiveram que ceder", afirmou o peemedebista. Para selar a paz entre petistas e peemedebistas, falta convencer o governador Roberto Requião (PMDB) a aceitar o deputado estadual André Vargas na presidência da Comissão de Orçamento. O governador já teria deixado claro que não gostaria de ver o presidente estadual do PT dando as ordens na comissão que conduz as discussões do orçamento da Casa.

Mas o PT deixa sempre no ar a ameaça que, desta vez, não vai se submeter aos vetos do governador. Se não for possível um entendimento em torno da CCJ, a bancada do PT pretende disputar com o PMDB todas as presidências das comissões. Vargas já perdeu a 1.ª vice-presidência da Mesa Executiva em decorrência das resistências do Palácio Iguaçu.

O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), deu um ultimato ontem para o PMDB e PT. Disse que instala todas as comissões na próxima segunda-feira, dia 6, e que os dois partidos se apressem para fechar um entendimento.

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