PT decide votar pelo financiamento público de campanha

Depois da derrota sofrida na Câmara em relação ao voto em lista fechada, o PT vai insistir na aprovação do financiamento público de campanha, um dos destaques do projeto de reforma política que tramita na Câmara dos Deputados. O presidente do partido, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), admitiu nesta segunda-feira (2) que a proposta fica bastante prejudicada sem aprovação do voto em lista, mas ressaltou que o financiamento público das campanhas é um elemento importante para a democracia.

"A nossa posição é que o financiamento das campanhas políticas seja totalmente público. Nós acreditamos que isso é o ideal para a democracia", afirmou Berzoini, após reunião da executiva nacional do PT na sede do partido, em São Paulo. "Claro que sempre registrando que a derrota do voto em lista foi um elemento de limitação para uma verdadeira reforma política", acrescentou.

Na avaliação da legenda, o financiamento privado permite que o poder econômico tenha um papel decisivo na formação do Congresso. "Acho que nós temos a oportunidade de reduzir drasticamente esta influência do poder econômico e evitar essa idéia de que o deputado vai ficar com rabo preso porque recebeu uma doação", opinou. O PT admite também que será necessário aumentar a fiscalização por parte do governo para que o dinheiro destinado ao financiamento das campanhas não seja desviado para outros fins. Berzoini acredita, entretanto, que o Estado tem capacidade e recursos para cumprir essa tarefa.

Na proposta original, o governo destinaria R$ 7,00 por eleitor e mais R$ 2,00 para as campanhas que cheguem ao segundo turno. Apesar de ponderar que o valor é pequeno, dada a dimensão das campanhas proporcionais, o PT apóia o projeto. "O mais importante é que o funcionamento público sai mais barato para a sociedade do que o financiamento privado", comentou.

Fidelidade partidária

O PT vai defender também a fidelidade partidária e o fim das coligações proporcionais dentro dos destaques do projeto de reforma política. Embora tenha fechado posição a respeito dessas questões, membros do PT admitem que a luta será dura no Congresso Nacional.

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