Contra um possível avanço da candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País (14,5 milhões de eleitores), o PT baiano decidiu intensificar esforços para tentar ampliar a margem de vantagem da candidata Dilma Rousseff (PT) no Estado nordestino. Segundo a direção estadual do partido, que se reuniu na noite de ontem, a nova meta é fazer com que a petista conquiste 75% do eleitorado baiano – o objetivo anterior era 70%, depois de a candidata receber 62,6% dos votos válidos no primeiro turno no Estado.

“A militância e as lideranças regionais estão mobilizadas desde o primeiro dia de campanha do segundo turno e vamos intensificar as ações nestas duas semanas de reta final”, afirma o governador reeleito Jaques Wagner, que deve participar de pelo menos mais 13 carreatas pelo interior do Estado até o dia 29. A Bahia é o quarto maior colégio eleitoral brasileiro, com 9,5 milhões de eleitores.

A programação de campanha prevê participação de todos os 120 deputados, federais e estaduais, e os dois senadores eleitos pela coligação liderada pelo governador. Eles foram convocados a retomar o ritmo da campanha de primeiro turno, usando para isso até as estruturas que montaram para conseguir vencer no último dia 3 de outubro. “Vamos ter eventos em todos os 417 municípios do Estado nessas duas semanas, com foco nos 50 maiores”, afirma o presidente estadual da legenda, Jonas Paulo.

Grupos de trabalho também foram formados para que a estratégia seja levada a cabo. A senadora eleita Lídice da Mata (PSB), por exemplo, lidera o grupo que vai promover ações em Salvador. O outro senador eleito, Walter Pinheiro (PT), que é evangélico, terá a incumbência de atrair o apoio de grupos religiosos, sobretudo dos próprios evangélicos, para a candidatura de Dilma.

O mote da campanha será que “Dilma é a melhor para a Bahia” e tentará atrelar a candidatura à continuidade dos programas de transferência de renda no Estado – a Bahia é o Estado com mais beneficiários do Bolsa-Família no País, com 1,6 milhão de famílias atendidas. “Se a oposição ganhasse, poderia suspender o programa, o que seria um prejuízo social impensável”, diz o prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), que coordenou a reeleição de Wagner e é um dos coordenadores da campanha de Dilma no Estado.

‘Terrorismo eleitoral’

Para a oposição, a estratégia petista constitui “terrorismo eleitoral”. “Estão apelando para essa tática com o objetivo de enganar a população e tentar manipular as eleições”, afirma o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), o mais votado no Estado, com 328,4 mil sufrágios. “Isso é terrorismo eleitoral. Se o Serra ganhar a eleição serei o primeiro a cobrar apoio aos projetos de interesse da Bahia.”