Após roubar a cena na homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na

Câmara Municipal, os petistas reduziram as expectativas de ter a senadora Marta Suplicy (SP) na campanha do pré-candidato da sigla à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Na segunda-feira (21), durante a solenidade de entrega da medalha Anchieta e do título de cidadão paulistano a Lula, Marta cobrou do PT mais do que uma cara nova na disputa, exigiu um projeto renovador para a cidade.

O discurso causou não só constrangimento entre os petistas, que queriam uma noite onde o centro das atenções fosse Lula, como deixou claro que a senadora não está disposta a se dedicar ao pleito como era esperado. “Ela está se colocando fora do processo eleitoral em que poderia ter um papel (relevante), mas ela não quer esse papel”, concluiu um cacique petista.

Nos bastidores, o discurso de Marta foi classificado como “deselegante”, já que a ex-prefeita de São Paulo usou a maior parte do tempo para falar de sua gestão (2001-2004) e atacar o governo de Gilberto Kassab. “Foi muito deselegante da parte dela, numa homenagem ao Lula, ficar falando de outros temas. Ela não entendeu onde estava”, comentou o petista. Segundo a cúpula

do PT municipal, por ser um evento acima dos interesses partidários, o pré-candidato Fernando Haddad ficou de fora da mesa de homenagem e se juntou aos demais convidados no plenário da Casa.

Durante o discurso, Marta disse que a cidade esperava um programa transformador do próximo prefeito. “Não basta o novo nessa cidade. Temos de ter um programa novo”, disse a ex-prefeita, em referência à propaganda partidária do PT que prega a renovação. “No fundo, acho que ela está incomodada com o comercial que fala do novo. Ela se sentiu velha”, alfinetou o cacique petista.

“Ela falou que São Paulo precisa de um programa novo e isso a gente vem preparando na campanha do Haddad. Estamos caminhando junto com ela. O sentimento dela é o sentimento da cidade”, contemporizou o vereador Chico Macena, da coordenação da pré-campanha de Haddad. “Ela está meio distante deste debate, talvez ela não saiba que a gente está avançando no processo” disse o presidente do diretório municipal e coordenador da pré-campanha, vereador Antonio Donato.

Na contramão das avaliações, o vereador José Américo, membro da coordenação da pré-campanha de Haddad, negou que o discurso de Marta tenha provocado mal-estar entre os petistas. “Não entendemos que a história do ‘novo’ foi uma crítica. Houve uma interpretação errada”, relativizou. De acordo com ele, a senadora ratificou ontem (21) a disposição de ajudar Haddad e garantiu que estará no pré-lançamento da candidatura do PT, marcado para o dia 2 de junho. “Ela vai falar no evento. O que acontece é que estamos poupando a senadora e vamos chamá-la para ações de massa”, explicou.

‘Martistas’ e ‘lulistas’

Esse foi o segundo evento de Marta com o pré-candidato da sigla na capital paulista. No primeiro, em abril, ambos dividiram o palanque na inauguração de um Centro Educacional Unificado (CEU) em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Na ocasião, Marta fez um gesto de aproximação com Haddad. “Você agora tem uma grande responsabilidade: eu e Lula vamos estar ao seu lado. O programa petista tem de voltar (a São Paulo), não podemos aceitar mais tanta mediocridade”, afirmou na ocasião. “Ela precisa escolher qual Marta que é: se for a Marta de São Bernardo do Campo, nós vamos precisar muito, mas se for a de ontem (21), ela demonstra que não está com vontade de fazer campanha”, concluiu um dirigente.

Sem Marta e sua popularidade na periferia, os petistas apostam suas fichas na presença integral do ex-presidente Lula. “Isso não quer dizer que (a ausência de Marta) vai nos enfraquecer porque o Lula vai entrar com tudo. Ela não é uma liderança maior que o Lula. Quem é martista, é lulista”, avaliou um petista.