Disposto a lutar por uma candidatura própria no Estado, o PT mineiro admite que a militância do partido está desmotivada com as prévias de domingo que irão definir o nome do pré-candidato da legenda, Patrus Ananias ou Fernando Pimentel. A expectativa é que o número de votantes seja cerca de 30% menor do que o registrado no Processo de Eleição Direta (PED) em 2009, quando 45 mil filiados participaram.

“O militante do PT vai comparecer um pouco a contragosto. É quase unânime que o militante do PT não quer fazer a escolha entre Patrus e Pimentel. Eles esperavam que houvesse um entendimento político”, admitiu o presidente do PT-MG, deputado federal Reginaldo Lopes.

Reeleito num PED marcado por denúncias de fraudes, que obrigaram a Executiva Nacional a acompanhar o processo, Lopes diz que os filiados petistas estão desanimados com a perspectiva de o partido ser coadjuvante numa eventual aliança com o PMDB. A sigla possui em Minas Gerais aproximadamente 130 mil filiados aptos a votar em 605 municípios. O dirigente calcula que a primária para a definição do nome petista deverá abranger no máximo 30 mil militantes.

Ele sugere que a baixa adesão deverá se repetir na campanha caso o PT não tenha candidato próprio. Nos bastidores, um dos argumentos dos petistas contra o apoio a Hélio Costa, pré-candidato peemedebista, é que a militância do partido não se empenhará por uma aliança que tenha como candidato ao governo o ex-ministro das Comunicações. Como consequência, a campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) no segundo maior colégio eleitoral do País acabaria enfraquecida.

“Só a expectativa de o PT não ter a cabeça de chapa tem desmotivado a militância em votar na prévia. Isso significará que nós teremos também dificuldade caso vença a tese do palanque único e que o PT não terá candidato na cabeça de chapa”, disse Lopes. Aliado de Pimentel, o presidente do PT-MG diz que o nome do vencedor das prévias ainda terá de ser submetido à aprovação no encontro estadual do partido, marcado para os dias 21, 22 e 23 de maio.