Não há mais petistas no secretariado do governador Roberto Requião (PMDB). Depois de Lygia Pupatto ter deixado a Secretaria de Ciência e Tecnologia na segunda-feira, ontem foi a vez de Valter Bianchini entregar ao governador carta de demissão do cargo de secretário de Agricultura e Abastecimento.

Assim, os dois secretários cumpriram a orientação do Partido dos Trabalhadores de deixar o governo Requião, decisão tomada em reunião da Executiva Estadual após as acusações feitas por Requião ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT). Junto com o secretário, também deixou o governo o diretor-geral da pasta, Herlon Goelzer de Almeida.

Bianchini deixou o cargo destacando “o excelente relacionamento que teve com o governador Roberto Requião e demais secretários, cujo apoio foi decisivo para a boa execução dos programas e políticas públicas na Secretaria da Agricultura e do Abastecimento e nas empresas vinculadas”.

Ele disse que deixou o governo apenas ontem para ter a possibilidade de concluir os trabalhos em sanidade agropecuária. Com o reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação, Bianchini considerou ter sua missão cumprida para entregar seu pedido de exoneração do cargo.

Na manhã de ontem, ele ainda participou de solenidades de entrega de 124 veículos para uso na Defesa Sanitária e da assinatura da portaria que o ministério da Agricultura confere ao Serviço de Inspeção do Paraná a equivalência ao Serviço de Inspeção Federal.

O rompimento do PT com o governo do Estado foi anunciado pela cúpula do partido, no dia 2 de março, após os desdobramentos da briga entre Requião e o ministro Paulo Bernardo. Requião acusou o ministro de ter proposto negócio superfaturado para a construção de um ramal ferroviário no Estado. Bernardo está processando o governador.

Apesar do anúncio de rompimento, os dois secretários petistas demoraram mais de 15 dias para deixar os cargos, alegando terem de concluir projetos em andamentos.

Como ambos serão candidatos nas eleições de outubro, teriam de pedir exoneração até o dia 2 de abril, para se desincompatibilizarem para a disputa eleitoral.

Assim, Bianchini deixa o cargo 14 dias antes do limite legal para a renúncia, situação comentada por Requião. “Ninguém saiu para cumprir a determinação do PT. Eles saíram porque serão candidatos em outubro e precisam se desincompatibilizar”, disse o governador.