O PSB formalizou nesta quarta-feira, 17, a candidatura do deputado Júlio Delgado (MG) à Presidência da Câmara dos Deputados como alternativa aos nomes de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Arlindo Chinaglia (PT-SP). A candidatura foi lançada com o apoio do PSDB, PPS e PV.

No discurso, os três candidatos defenderam hoje uma atuação autônoma em relação ao Executivo, mas Delgado disse que é o único que poderá assumir a bandeira real de independência, já que PT e PMDB são “sócios majoritários do governo”. Delgado afirmou que, se eleito, não haverá relação de subordinação com outros Poderes. “Independência é quando a gente, por exemplo, pode votar uma matéria sem ficar preso à indicação de ministros ou à vinculação de perder um ministro porque o partido se posicionou de uma forma ou de outra”, declarou.

A candidatura de Delgado só foi possível com a adesão do PSDB, que na próxima legislatura terá 54 deputados. A aproximação entre PSB e os tucanos se fortaleceu a partir da campanha presidencial, quando o PSB apoiou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) no segundo turno da disputa. Fora do governo Dilma Rousseff desde o ano passado, o PSB já votava alinhado com os partidos de oposição no Congresso. Hoje, o líder do PSDB na Casa, Antonio Imbassahy (BA), informou que o partido foi convidado a integrar o bloco Esquerda Democrática (PSB, PV, SD e PPS), mas que ainda não se posicionou sobre o convite.

Delgado contará na próxima legislatura com pelo menos 106 votos. Além dos tucanos, serão 34 parlamentares do PSB, 10 do PPS e oito do PV. O deputado informou que vai procurar o Solidariedade – que desde ontem integra o bloco Esquerda Democrática – para demovê-lo do apoio declarado anteriormente a Eduardo Cunha. Ele disse contar também com os partidos que se definem como independentes e com os novatos que trazem das urnas o “sentimento de mudança manifestado pelas ruas”.

O deputado do PSB foi relator dos processos de cassação do petista José Dirceu e recentemente do ex-vice-presidente da Câmara e ex-petista André Vargas. Disputou a presidência da Câmara em 2013, mas só teve o apoio formal de seu partido na última hora.

“Ninguém vai nos roubar esse discurso (de independência) e ninguém vai nos roubar a verdadeira candidatura que se apresenta como independente porque não temos nenhum vínculo”, enfatizou o candidato.