Procura-se candidato: tratar com a oposição

Enquanto espera pelo "sim" do senador Osmar Dias (PDT), e depois de flertar com o PMDB, o PSDB sonda as possibilidades eleitorais do deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) para disputar o governo do Estado. A direção estadual do PSDB está analisando os resultados de uma pesquisa de intenções de voto realizada em Curitiba e Região Metropolitana, área apontada como o ponto forte do governador Roberto Requião (PMDB), para ver como se sai o deputado tucano.

A princípio, a direção do partido gostou do resultado e o presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, definiu Gustavo como o "plano B" do partido, se Osmar decidir por continuar no Senado ou caso não se posicione até o final deste mês.

"Nós apoiamos o senador Osmar Dias, em qualquer circunstância. Mas não vamos poder esperar até o dia 2 de outubro para saber a decisão dele", afirmou Rossoni, ao justificar por que o partido está preparando a candidatura alternativa de Gustavo. O presidente do PSDB afirmou que o senador Alvaro Dias (PSDB) já disse que irá disputar o Senado e que prefere ver o irmão na condição de candidato ao governo.

Rossoni comentou que, além de encabeçar uma chapa ao governo, o PSDB também pode oferecer a Gustavo a posição de candidato a vice-governador de Osmar Dias, se o senador pedetista confirmar a candidatura. "A pesquisa que fizemos mostrou que o Gustavo se encaixa como uma luva para o momento. Ou como vice ou como candidato ao governo. O Gustavo é o nosso Alckmin, que vai crescer", afirmou.

Para o presidente estadual do PSDB, a candidatura de Gustavo Fruet pode atingir o favoritismo de Requião na capital e nos municípios da Região Metropolitana, que concentram cerca de 30% do eleitorado do Estado. "A candidatura do Gustavo arrebenta com o governador na base eleitoral dele. Até o momento, o Requião está correndo sozinho", afirmou Rossoni, descartando, desta vez, a aliança com o governador, ao contrário do que disse há duas semanas, quando admitiu o apoio do PSDB à reeleição do peemedebista.

Sem resposta

O líder da bancada do PDT, deputado Luiz Carlos Martins, subiu à tribuna da Assembléia Legislativa ontem para comentar sobre a indecisão do senador Osmar Dias. Martins disse que são muitas as cobranças feitas aos deputados do partido sobre o futuro eleitoral do senador pedetista, mas destacou que eles não têm resposta. "Todo mundo quer saber, mas não temos procuração para falar por ele. Nós queremos que seja, mas estamos esperando ele dizer se é ou não é. Não podemos garantir nada, seria irresponsabilidade nossa", afirmou Martins.

O pedetista destacou que a proposta da direção nacional de lançar um candidato à Presidência está dificultando a definição de Osmar. "Não é hora de forçar a barra. Esse é o jogo do Palácio Iguaçu, o jogo do nervosismo", afirmou o líder da bancada pedetista, acrescentando que não há motivo para precipitações. Segundo ele, quem se lança antes do tempo corre o risco de ter o mesmo destino da senadora Roseana Sarney (PFL), em 2002, quando ela vinha crescendo nas pesquisas e foi "bombardeada" pelos adversários, até a renúncia como candidata à Presidência da República.

O vice-presidente estadual do PDT, Augustinho Zucchi, afirmou que o eleitor não vota por antecipação. "O Requião, na última eleição, não era candidato até o dia da convenção. Depois, ficou sem candidato a vice-governador por uma semana. E isso não atrapalhou em nada a candidatura dele", justificou.

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