O PMDB de Curitiba suspendeu o processo de inscrições para a pré-convenção, que decidirá o candidato do partido à prefeitura. A publicação do edital convocando o processo, marcado para o dia 29 de março, foi adiada até que o conselho político do partido se manifeste. O conselho irá se reunir na segunda-feira, dia 10. O prazo para os pré-candidatos formalizarem a pré-candidatura seria aberto amanhã, dia 1º.
Por enquanto, o partido não cancelou as prévias. Mas são cada vez maiores as discordâncias sobre a melhor maneira de definir o candidato. Formado por deputados estaduais, federais e outros dirigentes do partido, o conselho terá que acabar com o impasse gerado pela movimentação de uma ala do partido que não quer as prévias. No bloco anti-prévias está o presidente da Cohapar, Rafael Greca e alguns deputados estaduais que, embora não assumam publicamente, torcem para o ex-prefeito de Curitiba ser o escolhido para a disputa. Anteontem, Greca avisou que não se submete ao processo. O argumento dessa ala é que as prévias ameaçam a unidade do partido na campanha eleitoral.
Do outro lado, está o reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Augusto Moreira Júnior, e o presidente do diretório municipal do partido, Doático Santos. Eles defendem a realização do processo, em que o candidato será escolhido por 104 convencionais. ?Por consenso ou no voto, vai ter uma hora que o partido vai ter que definir o candidato?, disse Doático.
Há ainda uma terceira corrente, que começou a se manifestar ontem e que tem como porta-voz o secretário geral do PMDB estadual, João Arruda. Ele defende que a escolha do candidato seja feita por meio de pesquisas de intenções de votos e não apenas em Curitiba, mas em todo o Estado. Ele acha que nas cidades onde houver mais de um candidato, as pesquisas decidem quem é o melhor. Arruda vai apresentar esta proposta à executiva estadual, na reunião semanal da próxima segunda-feira, dia 3.
Arruda argumentou que as pesquisas são o substituto natural do velho método de escolha de candidatos pelos chamados ?caciques? do partido e também possuem vantagem sobre as prévias. ?O sistema de pesquisas é uma fórmula fantástica porque respeita as vontades e efetiva um critério para desenrolar imbróglios surgidos no calor da disputa pela vaga de candidato a prefeito. A disputa interna é muito saudável, mas tem limites?, justificou.
?Todos concordaram, não vejo por que mudar?
Ao defender a realização da pré-convenção para a escolha do candidato peemedebista à prefeitura, o reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Augusto Moreira Júnior, disse que todos os pré-candidatos assumiram publicamente o compromisso de se submeter ao voto dos convencionais e de aceitar o resultado. ?Não houve nenhuma pressão para que aceitássemos o método. Uma vez que todos concordaram, não vejo por que mudar?, disse o reitor.
Moreira relembrou que todos os pré-candidatos (Greca, os deputados Reinhold Stephanes Júnior, Rodrigo Rocha Loures e Marcelo Almeida) aceitaram a pré-convenção, durante os debates internos do partido realizados no ano passado. ?O PMDB tem uma tradição em que a palavra dada é a palavra cumprida?, comentou o reitor. Sobre a resistência que alguns setores do partido demonstram em relação à sua pré-candidatura, o reitor afirmou que seus percentuais podem não ser altos nas pesquisas de intenções de votos, mas seu índice de rejeição também é baixo. ?Tudo tem bônus e ônus. O meu ponto a favor é não ter rejeição. E é fato que não sou experiente em disputas eleitorais, mas somente quem já está na política é que pode disputar? Não pode haver uma novidade no cenário político??, questionou. E lembrou que o governador Roberto Requião (PMDB), na sua primeira eleição para prefeito, começou com 2% nas pesquisas.
O reitor não quis comentar o apoio que tem do governador. (Elizabete Castro)


