Nomeado na última quinta-feira secretário especial Antidrogas da Prefeitura Municipal de Curitiba, o delegado da Polícia Federal Fernando Francischini ainda não teve a sua cessão publicada no Diário Oficial da União e segue vinculado ao Ministério da Justiça, o que o impede de trabalhar para a prefeitura.
Apesar de o delegado ter sido autorizado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, a desligar-se de suas funções na PF de São Paulo para trabalhar na secretaria municipal, a cessão formal, que deveria ter sido divulgada ainda na quinta-feira, até ontem não havia sido publicada no Diário Oficial.
?A liberação estava, desde quinta-feira, no Ministério do Planejamento para ser publicada no Diário Oficial, mas, até agora, não saiu. A única informação que recebi foi que o ministro da Justiça pediu suspensão da publicação para analisar novamente?, disse Francischini. O novo secretário diz não acreditar que o governo federal tenha mudado de idéia por decisão política. ?Acho que ocorreu algum problema técnico. O ministro assinou a liberação, minha posse foi prestigiada por autoridades enviadas pela Presidência da República, como o secretário nacional Antidrogas (Paulo Roberto Uchôa)?, lembrou.
No entanto, a demora do governo federal em liberar o delegado Fernando Francischini pode assumir contornos políticos-eleitorais. Embora oficialmente o atraso esteja sendo tratado como questão técnica, nos bastidores a versão é que estaria havendo uma interferência política do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT) para abortar a cessão do delegado.
Bernardo estaria motivado pelo descontentamento do PT e, até, do PMDB paranaense com as parcerias recentemente firmadas entre a prefeitura de Curitiba e o governo federal, em pleno ano eleitoral em que o atual prefeito, Beto Richa (PSDB), é o candidato a ser batido.
A Secretaria foi criada pelo prefeito como resposta aos altos índices de criminalidade na cidade. Apesar de segurança pública ser um compromisso constitucional do Estado, Richa decidiu criar um órgão para, mesmo sem poder de polícia, desenvolver ações preventivas ao tráfico de drogas. Além de recrutar um servidor federal, a secretaria funcionará em parceria com o Secretaria Nacional Antidrogas, utilizando, inclusive, recursos federais, o que teria desagradado o governo do estado (do PMDB) e o PT local.
O delegado lembrou que o Ministério do Planejamento só pode analisar a formalidade da liberação. ?A oportunidade e conveniência depende somente do Ministério da Justiça?. As assessorias do Ministério da Justiça e dos Ministério do Planejamento não tinham, ontem, informações sobre o processo de liberação de Francischini.


