O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato em primeira instância, autorizou a transferência de 12 presos da carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba para o Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. De acordo com o secretário de Segurança Pública do Paraná, Fernando Francischini, os novos habitantes do complexo terão o mesmo tratamento dado aos demais detentos do sistema penitenciário do Paraná. Eles foram transferidos na manhã desta terça-feira (24).

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Os 12 presos da Lava Jato, estão na ala de presos especiais do CMP, ocupada por detentos com curso superior. Entre eles estão o empresário Adir Assad, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o vice-presidente da construtora Mendes Júnior, Sérgio Mendes. “A orientação tanto do juiz quanto da Polícia Federal é nenhum centímetro acima e nenhum abaixo do que todo preso recebe”, disse Francischini.

Eles vão ocupar quatro celas no CMP, de acordo com Francischini. A divisão, de três presos por cela, será feita pela PF. Cada uma das celas tem três camas e o banheiro é coletivo e será dividido com cerca de 100 presos do CMP.

A alimentação também será igual a de todos os outros presos. “Vão comer o marmitex de todo preso comum do sistema penitenciário e vão usar o mesmo uniforme do preso do sistema penitenciário daquela unidade”, garante Francischini.

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Ainda de acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), as quatro celas não têm TVs, mas os presos da Lava Jato poderão negociar a demanda com a diretoria penitenciária. Os presos terão direito a uma hora por dia de banho de sol e a duas horas e meia de visitas coletivas aos finais de semana.

Doze detidos na carceragem da PF vão pro Complexo Médico-Penal.

Melhor

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Na decisão que autoriza a transferência, o juiz Sérgio Moro considera que o local garantirá melhores condições para os presos do que na carceragem da Superintendência. O espaço foi vistoriado e considerado adequado pela Polícia Federal. Moro também afirma que os presos da Lava Jato deveriam ficar “separados da maior parte da população carcerária” porque haveria “algum risco” de sofrerem violência dos outros presos.

Serão transferidos ao CMP o ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras, Renato de Souza Duque, os empreiteiros Erton Medeiros Fonseca, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Gerson de Mello Almada, João Ricardo Auler, José Aldemário Pinheiro Filho, José Ricardo Nogueira Breghirolli, Mateus Coutinho de Sá Oliveira e Sergio Cunha Mendes. Além deles, serão transferidos também Adir Assad e Mario Frederido Mendonça Goes.

Opção

Em fevereiro deste ano, o juiz federal Sérgio Moro pediu para que as defesas informassem o interesse dos presos na transferência para o sistema prisional estadual. A consulta ocorreu depois de denúncias sobre más condições da carceragem da Polícia Federal. Na época, nenhum dos presos optou pela transferência e todos continuaram na carceragem.