Apesar da decisão do PV Nacional, que, em convenção no último domingo, optou pela neutralidade no segundo turno da eleição presidencial, o presidente do PV do Paraná, Melo Viana, declarou voto na candidata do PT, Dilma Rousseff.

Aliado do PT e do PMDB (partidos que formam a base da coligação de Dilma) no Estado, Viana disse que baseou sua decisão na coerência. “Temos uma história de luta de 24 anos e sempre numa posição de esquerda. O PV do Paraná nunca se aliou ao PFL ou ao PSDB. Entre o projeto do governo atual e o projeto neoliberal anterior, ficamos com o atual. Se alguém me apontar um brasileiro que esteja vivendo em piores condições do que há 8 anos, talvez eu mude de opinião”, justifica Melo Viana, que foi secretário do governo Roberto Requião (PMDB) no Paraná.

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Melo Viana: posição de esquerda.

Em convenção realizada domingo em São Paulo, a ex-candidata à Presidência da República pelo PV, Marina Silva, anunciou a sua posição de independência no segundo turno.

Negando apoio a qualquer um dos dois candidatos: Dilma e José Serra (PSDB). A alegação de Marina foi de que sua candidatura tinha uma posição firme e ela não poderia influenciar os quase 20 milhões de brasileiros que votaram nela, “indo para um lado ou para outro”.

A “independência” deixou livre militantes e filiados a apoiarem qualquer um dos candidatos, sem que vincule os símbolos do PV à campanha. A declaração de independência do PV também é importante para que o partido tenha condições de começar a construir a candidatura de Marina para a presidência da República em 2014, já que o partido não terá compromisso com nenhum dos dois governos e promete fazer uma “oposição consciente” ao futuro presidente.

Marina saiu da convenção de domingo já como pré-candidata em 2014. Melo Viana também avaliou o resultado eleitoral do PV neste ano e foi mais cético quanto ao fenômeno Marina.

Na avaliação de Melo Viana, o PV cresceu (com os quase 20 milhões de votos em Marina) e ao mesmo tempo diminuiu, pois não aumentou as suas bancadas de deputados federais. Na maioria dos estados houve uma diminuição na votação. Apenas no Paraná, São Paulo e Rio Grande do Norte houve crescimento.

Enquanto o presidente do PV no Paraná anunciou o voto em Dilma, o ex-candidato do partido ao governo do Estado declarou-se neutro no processo. O ex-candidato, que teve 1,4% dos votos na eleição estadual, disse que, coerente é não apoiar nenhum dos candidatos.

“Minha posição acompanha a da Marina. Fizemos uma belíssima votação e o partido já fala em um projeto de 2014. Então, não teria sentido abraçar essa ou aquela candidatura, seria como que negar oficialmente que havia uma alternativa, uma terceira via, uma outra proposta”, disse.