Apesar da pressão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o presidente da CPI da Petrobras, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), avisou que a convocação da advogada Beatriz Catta Preta está mantida e que seu depoimento será marcado “no momento certo”. O cronograma das oitivas de agosto será definido na próxima semana, quando termina o recesso parlamentar.

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Depois de condenar publicamente a convocação da defensora, que esteve à frente dos acordos de delação premiada dos principais personagens da Operação Lava Jato, a OAB sugeriu que o juiz Sérgio Moro vete a oitiva. O objetivo da convocação é que ela esclareça a origem de seus honorários. Na semana passada, a criminalista Beatriz Catta Preta renunciou à defesa do lobista Julio Camargo, Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobras, e o lobista Augusto Ribeiro de Mendonça.

“O nosso trabalho na CPI é um trabalho que diz respeito ao Congresso, à Câmara. A nós, cabe seguir o que o plenário decidiu, e o plenário decidiu convocar a Catta Preta para ela trazer de onde ela está recebendo seus honorários”, reforçou o peemedebista. Motta argumentou que Europa e Estados Unidos já têm uma lei sobre lavagem de dinheiro, pela qual recurso proveniente de origem ilícita é considerado ilícito para tudo. Ele defendeu que a CPI recupere os recursos desviados da Petrobras e que o País siga o mesmo modelo dos demais países. “O Brasil precisa começar a adotar essa situação. Porque senão daqui a uns dias o cara vai roubar R$ 100 milhões e deixar R$ 10 milhões para pagar advogado”, declarou.

Motta ressaltou que independentemente do paradeiro da advogada, a CPI vai utilizar “todos os instrumentos para encontrá-la”, mas evitou falar em “condução coercitiva”. O peemedebista disse acreditar que a comissão conseguirá notificá-la sobre a data do depoimento sem maiores problemas.

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O presidente da CPI desconversou sobre as críticas da OAB e o posicionamento do juiz Sérgio Moro, que disse recentemente não ver motivos para a comissão parlamentar pedir informações sobre os honorários da advogada. “É da democracia ouvir críticas. Isso faz parte da nossa vida já, não acho interferência nenhuma”, respondeu.

Barusco

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Motta pediu uma reunião para esta semana com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. Seu objetivo é tentar derrubar a liminar que o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco conseguiu para não participar de acareações na comissão.

O presidente da CPI ficou transtornado ao ver fotografia publicada na edição desta semana da revista Veja em que Barusco aparece em Angra dos Reis (RJ). De acordo com a publicação, o ex-gerente da Petrobras fumava charuto e tomava cerveja no último dia 19, dias depois de se dizer impedido de participar das acareações na CPI.

No início deste mês, o ministro Celso de Mello concedeu liminar para dispensar Barusco de participar dos depoimentos com o ex-diretor de Serviços, Renato Duque, e com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari. A defesa do ex-gerente da Petrobras, à época liderada por Catta Pretta, alegou ao STF que ele estava em tratamento de câncer ósseo, que tinha dificuldades de locomoção e permanência por longo tempo na sessão da CPI.