Pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB, José Serra resolveu atacar, de forma velada, a falta de experiência em cargos de chefia no Executivo de seus principais adversários na corrida eleitoral. Sem citar nomes, o ex-prefeito paulistano, ex-governador do Estado e ex-ministro da Saúde disse nesta quarta que a Prefeitura não pode servir de curso para ninguém aprender a governar.

“Governo não é curso de graduação ou pós-graduação. A pessoa vai lá e depois de um ano diz ‘Ah, eu aprendi etc. e tal'”, disse Serra, após sabatina nos estúdios do SBT, em Osasco, Grande São Paulo. Para o tucano, o prefeito eleito tem de “saber o que fazer em cada área” desde o dia da posse. “Ninguém vota em você para que você aprenda. Votam para que você realize as coisas que disse que ia fazer a partir do primeiro dia. Esta, aliás, é a minha marca.”

De todos os pré-candidatos apresentados pelos partidos para a sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), Serra é o único que já ocupou o posto de comando nos Executivos municipal e estadual.

O petista Fernando Haddad traz no currículo quase sete anos à frente do Ministério da Educação nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além da chefia de gabinete da Secretaria de Finanças paulistana na gestão Marta Suplicy. O peemedebista Gabriel Chalita foi secretário estadual de Educação de Geraldo Alckmin. Outros pré-candidatos acumulam experiência parlamentar, como o ex-deputado Celso Russomanno (PRB) e a ex-vereadora Soninha Francine (PPS), entre outros.

Aos 70 anos, Serra é o veterano dos pré-candidatos a prefeito, mas usa como blindagem ao discurso de renovação já colocado pelos adversários que suas gestões são marcadas por políticas “inovadoras”. Um dos instrumentos para isso está na juventude tucana: militantes do partido têm dito que “Serra é jovem há mais tempo”.

“Adversário joga tudo e tem o direito de dizer qualquer bobagem”, disse Serra. “Pode ter gente que fez tanto, mas ninguém que fez tanta inovação, teve tanta ideia nova quanto eu.”

Serra não acredita que o julgamento do mensalão afete negociações de aliança com o PR. O partido tem quadros réus no processo, entre eles o líder nas conversas com o PSDB, Valdemar Costa Neto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.