Convicto de que terá seu nome homologado pela executiva nacional do PT como candidato à reeleição, em reunião na próxima terça-feira, em São Paulo, o prefeito do Recife, João da Costa, articula para ter o apoio da maioria dos 20 membros da comissão. “Quem está com o direito sou eu”, reafirmou ele, nesta sexta, um dia depois de contrariar a expectativa da direção nacional, mantendo sua candidatura à reeleição.

Ao contrário do prefeito, que não quis falar na hipótese de o partido vir a indicar outro candidato – no caso o senador Humberto Costa – o seu aliado deputado federal Fernando Ferro, antecipou que isto vier a ocorrer, o grupo do prefeito entrará com recurso. “Vamos dos recursos terrestres aos divinos”, disse ele, numa alusão a que a intenção, se necessário, é ir até a última instância. “Estamos decididos a defender nosso candidato”.

Ferro confirmou que antes serão esgotados os recursos do convencimento. “Primeiro vamos esgotar a política, vamos trabalhar para ter maioria na executiva”, destacou ao citar dois integrantes da comissão aliados do prefeito – o senador Walter Pinheiro e o deputado federal Jilmar Tatto. A executiva tem 20 membros, metade deles da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), contrária ao prefeito.

João da Costa disputou e ganhou por 52% dos votos a prévia disputada com o secretário estadual de Governo, Maurício Rands, da CNB. Marcada por recursos judiciais, acusações e clima acirrado, as prévias foram anuladas pela direção do partido, que marcou novas prévias para este domingo (3). Na quarta-feira, Maurício Rands desistiu da disputa em favor de um terceiro nome que a executiva viesse a indicar. João da Costa manteve o seu.

O governador Eduardo Campos (PSB), que comanda a Frente Popular – que abrange 15 partidos, incluindo o PT – reafirmou nesta sexta, em solenidade para instalação da Comissão Estadual da Memória e da Verdade Dom Hélder Câmara, que não fala da vida partidária de outro partido. “Torço e vou trabalhar pela unidade da Frente, vou aguardar que o PT e sua direção municipal, estadual e nacional possam construir um entendimento de unidade para dar minha contribuição, que é buscar a unidade do conjunto da Frente”, limitou-se a dizer ele. “Se for possível, vamos celebrar, se não for possível, vão entender”.

São Paulo

João da Costa desvinculou a situação de Recife como condição para o apoio do PSB a Fernando Haddad em São Paulo. “Recife tem seu próprio processo político, que deve ser resolvido aqui”, assegurou. O governador Eduardo Campos, por sua vez, disse que o PSB de São Paulo tem uma dinâmica própria, que está sendo vivida em debate interno do partido, pela direção municipal e pela direção estadual. Segundo ele, o assunto chegará à direção nacional na segunda metade de junho, quando haverá uma decisão em relação ao assunto. A aposta continua a mesma: a de que o PSB vai apoiar a candidatura petista.