A proximidade da votação do projeto de reforma política na Câmara está mobilizando os deputados. Desde a manhã, as bancadas partidárias estão fazendo reuniões para tentar chegar a uma posição sobre os dois pontos mais polêmicos do projeto: o voto do eleitor em lista elaborada pelo partido no lugar de o eleitor votar diretamente no candidato de sua escolha, a chamada lista fechada ou pré-ordenada, e o financiamento público de campanha.

O DEM fechou questão a favor dos dois pontos e ainda a favor da fidelidade partidária e do fim da possibilidade de coligações nas eleições proporcionais. Fechar questão na linguagem parlamentar é obrigar os deputados a votarem como a posição do partido. A Executiva do PT antecipou a reunião para amanhã de manhã, marcada inicialmente para quinta-feira. Integrantes da Executiva já anunciaram que o partido vai fechar questão a favor da lista fechada, do financiamento público exclusivo de campanha da fidelidade partidária e do fim das coligações. A questão, no entanto, ainda encontra dissidências na bancada. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) foi encarregado de levantar a opinião dos deputados para levar à reunião da Executiva amanhã e tentar influenciar na decisão.

O PMDB decidiu nesta terça-feira (12) que vai liberar a bancada, o que significa que cada deputado poderá votar como quiser e não terá de acompanhar uma decisão partidária. O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que vai se manifestar no plenário a favor da lista fechada e do financiamento público, mas a votação está liberada. "A lista divide muito. Toda mudança tem o seu risco, mas prefiro que o partido escolha, faça a lista, do que o poder econômico", argumentou o líder do PMDB. O PTB também deverá liberar sua bancada. O líder do PTB, Jovair Arantes (GO), disse que grande parte da bancada rejeita a lista fechada e o financiamento público.

O PSDB se reúne ainda nesta terça-feira, mas a decisão deverá ser tomada só amanhã. A bancada está rachada ao meio na questão da lista fechada. O PSB também marcou nova reunião para a amanhã. O líder da bancada, Márcio França (SP), afirmou que, majoritariamente, os deputados do PSB estão contra a lista fechada e contra o financiamento público e a favor do fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais. "A lista tira do eleitor o direito de escolher seus candidatos", afirmou. França, que também é líder do bloco com o PCdoB e o PDT, informou que a posição desses partidos é oposta. Segundo França, o PDT está contra a lista e contra o financiamento público e o PCdoB a favor dos dois pontos.

No PPS o quadro é favorável à aprovação dos dois pontos polêmicos. O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), afirmou que sua bancada está a favor da lista fechada e do financiamento público de campanha. "Mais de 60% está a favor da lista fechada", afirmou Coruja. O líder do PR, Luciano Castro (RR), afirmou que sua bancada também é contra a lista e contra o financiamento público. "Com a lista, vamos criar uma ditadura dos partidos. O eleitor vai perder a identidade com o candidato", disse Castro. O PP também é contra os dois pontos.