O coordenador da Central de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública (Cisesp) foi vítima de um atentado na última quarta-feira. O nome do policial civil é mantido em sigilo por questões de segurança. O atentado só foi anunciado ontem, pelo secretário estadual da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.
O policial civil – que participou da operação Março Branco – foi perseguido por um Passat alemão cor prata, quando saía do prédio da Cisesp, no bairro de Santa Felicidade. Informações indicam que o aparelho Guardião, usado para fazer interceptações telefônicas, fica neste prédio. O policial disse que percebeu que estava sendo seguido. Seu carro foi fechado pelo Passat e o condutor lhe apontou uma pistola. Desarmado, o policial se abaixou e apontou um telefone celular, para tentar enganar o desconhecido. Intimidado, ele acabou fugindo.
Para Delazari, o crime foi motivado para tentar inibir os trabalhos de investigação que vêm sendo desenvolvidos pela Cisesp. "O policial safou-se por ser experiente. Ele sofreu apenas ferimentos leves devido a colisão do veículo", disse.
Há cinco dias, o mesmo Passat prata foi visto em frente ao prédio da Cisesp. Um estranho tentou entrar no prédio e apresentou um documento falso de identificação. Os seguranças, que não conheciam o homem, desconfiaram e não o deixaram entrar. Antes de ir embora, ele tirou algumas fotografias do prédio. Por precaução, a placa do Passat foi anotada. De acordo com o secretário, verificou-se que a placa era fria.
Suspeito
Na quarta-feira, durante o depoimento que prestou à CPMI da Terra, em Brasília, o tenente-coronel Valdir Copetti Neves – preso durante a operação Março Branco acusado de chefiar a milícia armada que agia em Ponta Grossa contra sem terra – entregou aos membros da comissão documentos com fotografias da fachada da Cisesp. O delegado da PF que preside o inquérito, Fernando Francischini, também prestou depoimento na quarta-feira e disse que a foto não poderia ter sido mostrada porque o prédio não poderia ter sido identificado, por funcionar ali um escritório de investigações secretas da polícia. "Vamos ter que desativar este escritório", disse Francischini.
Para Delazari, o fato de Neves ter mostrado fotografias do prédio é um forte indício de que esteja envolvido com o atentado. "Essa atitude não é mera coincidência e Neves passa a ser o principal suspeito de ser o mandante do atentado", disse o secretário.
No entanto, para o presidente da CPMI da Terra, senador Alvaro Dias (PSDB/PR), a tentativa de atentado não tem nenhuma relação com as denúncias feitas por Neves à CPMI. "Não acredito que com a foto alguém conseguiu distinguir o local. A pessoa que tentou atingir o funcionário já sabia da localização deste equipamento no bairro Santa Felicidade. Esperamos que a polícia consiga prender o responsável para que as coisas sejam de fato esclarecidas", disse o senador.


