O PMDB está aumentando sua presença nas prefeituras do Estado. Antes de o governador Roberto Requião (PMDB) embarcar para o Japão e China no próximo dia 18, um grupo de treze prefeitos do Norte Pioneiro estará assinando a ficha de filiação ao partido que comanda o Estado. Desta forma, o PMDB que, no ano passado, conquistou a maioria de prefeituras de pequenos municípios, começa a ampliar o número de cidades sob sua administração.
O avanço do PMDB sobre as prefeituras está incomodando os partidos de oposição. Ontem, o líder do bloco de oposição na Assembléia Legislativa, Valdir Rossoni (PSDB), disse que está havendo uma pressão sistemática do Palácio Iguaçu sobre prefeitos e lideranças de várias siglas, incluindo aliados.
O secretário da Casa Civil, Caito Quintana, disse que não há motivos para esconder que o PMDB está em fase de expansão. Mas, segundo Quintana, são os prefeitos que têm procurado o governo e nesse processo de aproximação com o Palácio, muitos querem se filiar ao partido do governador. "Não está havendo pressão ou cooptação. Os prefeitos estão vendo que o governo está fazendo um bom trabalho e que tem o interior como prioridade e buscam se aproximar", justificou.
Até aliados na eleição de 2002 já começam a reclamar. O presidente do PPS em Curitiba, deputado Marcos Isfer, declarou-se ontem apreeensivo com as relações entre o PPS e o governo. Disse que é admirável a lealdade do governador com os aliados, mas ressalvou que certos secretários destoam deste comportamento. "Alguns deles, com intenções eleitorais, estão tentando aliciar correligionários de partidos aliados a fim de aparelhar suas secretarias. O governador precisa ficar atento a esta conduta de alguns de seus auxiliares, que serão candidatos na próxima eleição", afirmou Isfer.
Proximidade
Apesar de censurar as relações entre os prefeitos e o Palácio Iguaçu, o PSDB não encara da mesma forma a aproximação de seus deputados estaduais com o governador Roberto Requião. Dos nove deputados tucanos, seis se alinham ao governo e anteontem reuniram-se no Palácio Iguaçu com Requião.
O líder do partido na Assembléia Legislativa, Ademar Traiano, disse que é natural haver esse diálogo entre os deputados do partido e o governo. "Os deputados têm posição independente e no momento oportuno, vão apoiar o partido", disse.
O deputado Luiz Accorsi, um dos que estiveram na reunião com o governador, resumiu a natureza das relações com o Palácio Iguaçu. "Ele (Requião) sabe para quem nós vamos trabalhar em 2005. Agora, o nosso compromisso é de governabilidade", afirmou.
Rossoni, Traiano e o vice-presidente estadual do PSDB, Hermas Brandão, são os três deputados tucanos que não estão alinhados ao governo. Para Brandão, a situação vai perdurar até que comecem as definições para a sucessão estadual do próximo ano. " "Enquanto não se definir as posições em relação à candidatura para o governo, eles estão liberados para apoiar o governador", disse Brandão.


