Uma candidatura a vice-governador, exclusividade para o governador Roberto Requião na disputa por uma das vagas ao Senado e ainda a garantia de coligação na eleição proporcional.

Estas são as bases da negociação que vem sendo feita nos bastidores entre setores do PMDB e do PSDB para unir os dois partidos na sucessão estadual do próximo ano.

Os termos das conversas, admitidas na semana passada pelo prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), estão longe de um consenso. Mas é grande a torcida do braço parlamentar do PMDB para que a discussão chegue a bom terno.

Com dezoito deputados estaduais, que, com raras exceções, não demonstram entusiasmo com a candidatura ao governo do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), a bancada estadual do PMDB vê na coligação proporcional com o PSDB a tábua de salvação para 2010.

Mas o interesse é mútuo. Se conquistar o PMDB para o seu palanque, o PSDB teria o partido com o maior número de prefeitos e vereadores do Estado, considerado cabos eleitorais imprescindíveis na campanha para o governo e também à sucessão presidencial.

Mas as negociações têm adversários nos dois partidos. No ninho tucano, duas lideranças já levantaram voz contra a coligação. O líder do PSDB, na Assembleia, Ademar Traiano, já se declarou contra a coligação na proporcional.

Já o deputado federal Gustavo Fruet, pré-candidato ao Senado, disse discordar de qualquer aliança com o PMDB. “Eu tenho muito respeito pelo PMDB, tive a honra de já presidi-lo, mas uma aliança com o Requião, no momento, vai ao contrário da proposta do PSDB, que é de ser o novo”, disse Fruet.

“O PSDB não tem que responder esse tipo de coisa enquanto não receber nada oficial, mas eu já adianto que sou contra”, acrescentou. Fruet subiu o tom quando questionado sobre os cargos que interessam ao PMDB e a possibilidade de abrir mão da candidatura para viabilizar a aliança.

 “Nunca vi acordo só em função de cargos e, quando fui convocado pelo partido para ser candidato ao Senado, deixei claro que não aceitaria ser moeda de troca. Uma proposta dessas não deve nem ser considerada”, disse, lembrando que o PMDB tem pré-candidato ao governo e que tal atitude pode gerar uma crise partidária. “Se essa ideia partiu de deputados do partido, com certeza, teve o aval do Requião. E isso pode gerar uma crise no partido, pois é um desrespeito ao Pessuti, que vai assumir o governo no ano que vem e pode ter seus deputados trabalhando contra”, comentou.

Traiano disse que até aceitaria um acordo com o PMDB, na teoria de que “apoio não se recusa”, mas defendeu que o PSDB deva priorizar as alianças com partidos historicamente aliados aos tucanos.

“Não podemos permitir, num momento de perspectiva de retorno ao poder, que adversários se aproximem de nós em detrimento de quem sempre esteve conosco. Vamos até o último momento buscar contemplar os partidos aliados que historicamente estiveram juntos, entre eles o PDT, mas sem abrir mão da candidatura do Beto ao governo”.

Traiano, que disse ser totalmente contra a aliança na proporcional com o PMDB, prevê dificuldades de reeleição para os deputados tucanos em caso de acordo. “Será um prejuízo enorme, porque estamos vivendo apenas do suor, enquanto os deputados do PMDB têm a sustentabilidade do governo e dos prefeitos. Nessa coligação, será muito mais difícil para quem hoje está na oposição”, comentou.