O material contra Vanhoni estava
dentro de um ônibus. Publicação
contra Beto era distribuída na rua.

A Polícia Militar prendeu, ontem de madrugada no bairro Santa Quitéria, três pessoas acusadas de distribuição de panfletos de conteúdo ofensivo ao candidato da coligação Tá Na Hora Curitiba, deputado estadual Angelo Vanhoni (PT).

A publicação estava em um ônibus interceptado por policiais por volta das 5 horas da manhã. Os detidos foram interrogados na Polícia Federal e liberados em seguida. A campanha de Vanhoni acusou o adversário Beto Richa (PSDB) de ser o responsável pela confecção do material, que tratava do desempenho profissional do candidato petista durante o período em que trabalhou no extinto Banestado. O episódio mereceu uma nota de repúdio do diretório nacional do PT.

No final da tarde, a Policia Militar fez novas prisões no bairro, Santa Quitéria, desta vez de quatro mulheres que estavam distribuindo material apócrifo, com ataques ao candidato da coligação Curitiba Melhor pra Você, Beto Richa. Elas foram levadas à Polícia Federal, que lavrou termo circunstanciado do ocorrido e, depois de ouvi-las, liberou-as. O material apreendido, que associa Beto ao grupo de Jaime Lerner e enumera vários motivos para o eleitor não votar no tucano, além de um roteiro para a sua distribuição, serão periciados para identificar origem e responsabilidade.

Repetição

O mesmo material contra Vanhoni apreendido pela manhã, segundo a assessoria petista, foi usado pelo adversário na eleição de 2000 e teve a divulgação proibida pela Justiça Eleitoral, que manteve a decisão na campanha deste ano. Conforme a assessoria, uma equipe de cabos eleitorais de Vanhoni que estava próxima ao comitê de Beto, na Santa Quitéria, presenciou a chegada ao local de um ônibus para o qual eram levadas pilhas de papel retiradas de um Gol com adesivos de Beto Richa.

Ainda, de acordo com a assessoria, a coordenação de campanha foi alertada no dia anterior sobre a produção de material apócrifo, que seria distribuído em terminais de ônibus e caixas de correspondência. A campanha petista relatou que o ônibus estava sendo escoltado por um gol, de placa AKD-1764 com diversos adesivos de Beto Richa.

Segundo a campanha de Vanhoni, os panfletos mostram a ficha funcional de Vanhoni, quando ele era vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba. Por causa da função, segundo a assessoria, Vanhoni era perseguido pela diretoria do banco, que fazia anotações infundadas em sua ficha profissional.

Em nota oficial distribuída ontem à tarde, o presidente do diretório nacional do PT, José Genoino, cita as prisões em Curitiba como exemplo de “armações e violência” que vêm sendo cometidas contra candidaturas do partido no segundo turno das eleições. “A direção nacional reafirma a recomendação para que a militância, os apoiadores e os candidatos do partido, façam campanha de alto nível defendendo as propostas do PT e não reajam a provocações. Por fim, o partido dos trabalhadores espera que nossos adversários não se utilizem desse clima de sectarismo e violência, que não condiz com um país democrático e civilizado”, diz a nota da direção nacional do partido.

PM realizou as prisões

Sobre as prisões, ontem de madrugada, de cabos eleitorais que supostamente estariam distribuindo panfletos apócrifos contra o candidato da coligação Tá na Hora Curitiba, Ângelo Vanhoni, a assessoria da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba informou que foram feitas pela Polícia Militar.

Foi a PM que apresentou três pessoas à PF pela manhã, de posse dos tais panfletos. O material foi recolhido e encaminhado à perícia, e foi feito um termo circunstanciado por infringência ao artigo 325 da lei 4737/65, em combinação com o artigo 14, inciso II do Código Penal, que tratam justamente da distribuição de material em prejuízo de teceiros. Os detidos foram ouvidos e liberados em seguida.

A Polícia Federal não quis revelar nomes nem conteúdo do material apreendido, alegando que está impedida de fazê-lo em função da legislação eleitoral. Isto só será feito após o final das investigações. (SCP)

Tucano reage atacando

A campanha de Beto Richa defendeu-se das acusações dos adversários com uma denúncia de que seus cabos eleitorais e militantes estão sendo perseguidos e constrangidos por policiais militares. De acordo com a assessoria do tucano, em várias regiões da cidade, os cabos eleitorais foram impedidos de distribuir propaganda pela Polícia Militar. Na versão tucana, o episódio da prisão dos militantes durante a madrugada foi uma “armação” de policiais militares à paisana, militantes petistas e peemedebistas.

De acordo com a campanha tucana, os detidos são dois voluntários que foram falsamente acusados de distribuição de material ilegal. “Isso quando, de fato, estavam apenas distribuindo e transportando jornais e outros materiais de campanha. Os dois rapazes, detidos em ocasiões e locais diferentes, foram levados à Polícia Federal”, afirma o material distribuido pela assessoria de Beto Richa.

Ainda conforme a campanha tucana, Gerson Gunha, da equipe de mobilização do Comitê Regional da Boa Vista, foi abordado e encaminhado para a Polícia Federal, onde permaneceu por mais de cinco horas. Apesar de não ter sido aberto nenhum inquérito policial contra ele junto à PF, foi acusado de tentativa de difamação pelos policiais militares do serviço reservado do Estado, informou a assessoria.

De acordo com a assessoria de Beto Richa, Gunha contou que saía do comitê no seu Gol, às 6h da manhã, quando foi cercado por seis carros, onde estavam homens armados. Um deles, apontando a arma para Gunha, mandou o rapaz seguir um ônibus que estava nas proximidades. Dali conduziram Gunha e as pessoas que estavam no ônibus, dentro dos respectivos veículos, até a Polícia Federal. Lá, conforme relato da assessoria, uma nova vistoria foi feita no Gol, com a presença de um dos advogados da campanha de Beto Richa, sem que nenhum material ilegal fosse encontrado. (EC)