O Palácio do Planalto reagiu ontem à divulgação de trechos da delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, atribuindo as acusações a “vazamentos seletivos” para “atacar o PT”. O tom da resposta foi definido pela presidente Dilma Rousseff em reunião no Palácio da Alvorada com ministros do primeiro escalão, que miraram os tucanos e recorreram aos argumentos de “luta política” para se defender das acusações.

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Antes de embarcar para os Estados Unidos, pela manhã, Dilma convocou os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Edinho Silva (Comunicação Social) e José Eduardo Cardozo (Justiça) para uma reunião emergencial de cerca de uma hora sobre a nova delação da Operação Lava Jato. Os dois primeiros foram citados como beneficiários de supostos repasses irregulares em 2010 e 2014. Eles negam.

A presidente viu nas acusações uma tentativa de criminalizar doações legais de campanha e atingir o governo. “Vocês vão fazer o debate”, orientou Dilma. Em seguida, foram convocadas entrevistas dos ministros.

O Planalto teme que as denúncias acirrem ânimos no PT, agravem a instabilidade política e resgatem as movimentações por impeachment, além de ofuscar a viagem aos EUA, principal aposta da agenda internacional do ano.

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“Nesse episódio de investigação, evidente que há uma ênfase, um ataque ao PT. Há, sim, uma leitura, do meu ponto de vista, focada numa disputa que não parou desde o fim das eleições”, disse Mercadante, que cancelou a participação na viagem aos EUA. O ministro foi orientado a ficar no País para se concentrar na gestão da Casa Civil, auxiliar na articulação política e mostrar que o governo não está paralisado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.