Foto: João de Noronha/O Estado

Vargas: deputado considera candidatura irreversível.

A informação divulgada ontem pelo portal de notícias do UOL (Universo On Line), no site do jornal Folha de S.Paulo, sobre a intenção de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intervir no Paraná para impor ao PT o fim da pré-candidatura do senador Flávio Arns ao governo e levar o partido a apoiar a reeleição do governador Roberto Requião mobilizou as lideranças do partido no estado. O presidente estadual do partido, deputado André Vargas, foi o primeiro a desmentir os planos do presidente no Paraná, depois de ir em busca de informações junto à direção nacional do partido.

Vargas disse que a opção pela candidatura própria ao governo do Paraná foi decidida pela executiva estadual por unanimidade e que o presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), assim como toda a cúpula nacional, participou das negociações. "Portanto, tem ciência das decisões já tomadas em nível estadual", afirmou Vargas.

Na matéria, o portal informa que o presidente teria rifado a pré-candidatura de Arns, durante um jantar realizado na quarta-feira à noite, em Brasília, com as direções do PSB e PCdoB, que já teriam amarrado o apoio à reeleição do presidente. No decorrer da conversa sobre alianças, Lula teria dito, segundo relatou um dos convidados, que considerava difícil a aliança formal com o PMDB, mas que tentaria acordos localizados em alguns estados para preparar uma coalizão com os peemedebistas em um suposto segundo mandato. Segundo a reportagem, o Paraná e Santa Catarina foram citados pelo presidente como exemplos de estados onde ele acha possível levar o PT a apoiar a reeleição de dois governadores peemedebistas, Requião e o catarinense Luiz Henrique da Silveira.

O presidente estadual do PT garantiu que conversou com alguns integrantes da direção nacional e foi informado que o teor da matéria não procede. "Além do presidente não ter feito em momento algum as declarações, a direção nacional nos confirmou que as negociações com o PMDB levarão em conta as decisões tomadas nos fóruns partidários estaduais. Não é o presidente quem diz e sim, um dos participantes", argumentou.

Vai rachar

O deputado estadual Natálio Stica que, inicialmente, defendia uma reaproximação entre petistas e peemedebistas no Paraná, avalia que é preciso muita cautela para tratar deste assunto. "Eu sabia que existia essa possibilidade. Não sei se isto vai acontecer. Mas aqui, no Paraná, seria muito trabalhoso esse processo porque há uma disposição muito grande de ter uma candidatura própria. E o Flávio Arns está com muita vontade de fazer a campanha", analisou Stica.

Para Stica, é possível que o momento de articular uma candidatura única ao governo entre PMDB e PT já tenha passado. "Talvez, esteja meio em cima da hora para algo assim", ponderou o deputado petista. Ele acha que acabar com a candidatura de Arns no Paraná seria uma operação de "alto risco" para a direção nacional. Ele lembrou que ainda é recente na memória petista a experiência da aliança entre os dois partidos na disputa para a prefeitura de Curitiba em torno da candidatura de Angelo Vanhoni. Como metade do PMDB não concordava, o partido rachou e o candidato petista teve o apoio de somente de uma parte da sigla, observou Stica. "Tudo pode se resolver conversando, mas que esse processo iria rachar o PT, como aconteceu com o PMDB, ia mesmo", afirmou.

Arns ignora ameaças à sua candidatura

Elizabete Castro

O senador Flávio Arns (PT) afirmou ontem, que a forma como é recebido e tratado no Palácio do Planalto não confere com as versões divulgadas ontem sobre um suposto processo de "fritura" de sua pré-candidatura ao governo do Estado em benefício da candidatura à reeleição do governador Roberto Requião (PMDB). Arns disse que sua pré-candidatura foi decidida pela "quase unanimidade" do PT do Paraná e que na quarta-feira passada, dia 24, quando esteve no Palácio do Planalto para tratar de assuntos relativos ao mandato de senador foi incentivado por assessores próximos a Lula a disputar a eleição no Paraná.

"Assessores diretos do presidente com quem conversei sobre as eleições me incentivaram a continuar nessa caminhada política", disse Arns. Além disso, destacou o senador, o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, já disse várias vezes que a candidatura do Paraná está consolidada.

Para o senador, a candidatura própria ao governo é um projeto de todas as correntes do partido. "Trata-se da vida do partido, desde a militância, aos candidatos a deputado federal, estadual e Senado. E a candidatura ao governo é importante também para o presidente Lula e não apenas para o PT do Paraná", afirmou.

Arns disse que foi convocado pelo PT a ser candidato e que um partido não pode ficar mudando a toda hora de posição. "Não sei se essa posição é a do presidente, se ele falou que vai pedir para retirar. Pode ser que tenha havido uma interpretação errada do que ele disse. Uma afirmação, às vezes, permite várias leituras", comentou.