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Cássio: sem unanimidade.

Ao entregar ontem a prefeitura de Curitiba para o PSDB, após um domínio que durou quase duas gestões, o PFL do Paraná tenta recompor as forças para a sucessão estadual de 2006 a partir das vinte e cinco prefeituras que conquistou em 2004 e confiante no processo de reestruturação nacional que vem sendo discutido desde o ano passado e que internamente vem sendo chamado de "modernização". Regionalmente, em 2005, o PFL persegue um objetivo mais ambicioso, que é atrair para seus quadros o senador Osmar Dias (PDT), apontado como o mais forte nome da oposição para concorrer com o PMDB do governador Roberto Requião.

Por enquanto, conforme confidenciam pefelistas, as conversas com o senador pedetista estão sendo feitas pela cúpula nacional do partido. O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, estaria fazendo, já há algum tempo ,sondagens com o pedetista para tentar desvendar seu futuro partidário. Muito bem instalado no PDT, Osmar não admite trocar de partido, mas a continuidade da regra da verticalização das coligações, que obriga os estados a reproduzirem as mesmas alianças eleitorais da sucessão presidencial, pode levar o senador para uma nova sigla.

O PFL está tentando, mas não é o único interessado na filiação de Osmar. O PSDB está no circuito e leva a vantagem de já ter tido o PDT em seu palanque nas eleições municipais de 2004. Mas tem também uma desvantagem. É no PSDB que está o senador Álvaro Dias, apontado como um possível candidato ao governo em 2006.

O PFL ainda tem a possibilidade de trabalhar o nome do ex-prefeito Cássio Taniguchi para o governo. Mas Taniguchi, depois da aventura da candidatura de Osmar Bertoldi à sua sucessão em 2004, não é uma unanimidade interna. Taniguchi também vem sendo criticado nos bastidores por não ter oferecido a prefeitura de Curitiba para catapultar as críticas do partido ao governo Requião, que seria uma forma de o partido se sobressair longe do governo, que deixou em 2003. Para alguns pefelistas, Taniguchi fez uma linha "individualista" e não se saiu bem na política de grupo.

Modernização

O vice-presidente estadual do PFL, deputado Durval Amaral, disse que o partido vai ganhar fôlego com o processo de reorganização nacional. As mudanças, que incluem uma reformulação geral do estatuto e do programa partidários, são conduzidas por Bornhausen, que pretende reduzir o poder do senador Antonio Carlos Magalhães.

Amaral disse que o partido pode ou não ter um candidato próprio ao governo, mas a idéia geral é que esteja incluído numa grande frente de oposição a Requião e aliados." O importante é que o partido esteja participando desse processo na linha de frente da oposição", afirmou o líder da oposição ao governo na Assembléia Legislativa.