A Polícia Federal quer identificar eventuais pagamentos emitidos pelo governo de Minas Gerais a empresas do doleiro Alberto Youssef no ano de 2010, quando o Estado foi administrado pelos hoje senadores tucanos Aécio Neves e Antônio Anastasia. A solicitação consta em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em junho no qual investigadores pedem a prorrogação da investigação de Anastasia por suposto envolvimento no esquema de corrupção deflagrado pela Operação Lava Jato.

O inquérito de Anastasia é um dos dois únicos que não foi prorrogado até o momento. Apesar de a PF ter feito o pedido por mais prazo, o pedido não foi endossado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Não há decisão do ministro Teori Zavascki sobre o caso. Nos demais inquéritos, o ministro autorizou que as investigações sigam até o final de agosto, conforme pedido por PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Ao solicitar mais tempo de investigação, o delegado da PF Milton Fornazari Junior alega que se faz necessária a prorrogação de prazo, entre outros motivos, “para a identificação das ordens bancárias eventualmente emitidas pelo Estado de Minas Gerais no ano de 2010, em valores superiores a R$ 500 mil, que tenham tido como beneficiárias empresas controladas por Alberto Youssef”.

No ano de 2010, Aécio ficou à frente do governo até 31 de março, quando deixou o cargo para concorrer ao Senado Federal. A partir daí até o final do ano, Anastasia assumiu o governo.

A defesa de Anastasia já solicitou o arquivamento do inquérito aberto contra ele na Lava Jato. No ano passado, o caso foi encaminhado ao Supremo após o agente da PF Jayme Alves Oliveira Filho, o Careca, ter dito que entregou R$ 1 milhão ao tucano. O policial é acusado de ser entregador de malas de dinheiro a mando de Youssef.