PF prende empresários que lavaram US$ 1,8 bilhão

Cinco empresários investigados por crime de lavagem de dinheiro pela Força-Tarefa CC-5 do Ministério Público Federal foram presos ontem de manhã, por determinação do juiz Gueverson Farias, da 2.ª Vara Federal Criminal de Curitiba. As prisões de Paulo Jacintho Sposito, Antônio Pires de Almeida, Paulo Pires de Almeida, Roseli Ciolfi e Regina Roriko Inoue foram efetuadas pela Polícia Federal, comandada pela superintendência do Paraná, em São Paulo (SP) e Campo Grande (MS).

Os cinco empresários, que mantinham relações com doleiros do Banestado e outros envolvidos na operação Beacon Hills, são acusados de gestão fraudulenta, operação de instituição financeira sem a autorização, evasão de divisas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Paulo Pires de Almeida foi preso em uma fazenda, a 180 quilômetros de Campo Grande, e os outros quatro em São Paulo. Antônio Pires (80 anos) e Sposito (72), estão em prisão domiciliar em virtude da idade.

Todos eles deverão ser interrogados no dia 10 de fevereiro, na 2.ª Vara Federal, em Curitiba. Segundo o procurador Wladimir Aras, que integra a força-tarefa, ainda não foi possível localizar os destinatários de mais de US$1,8 bilhão remetido para fora do País através de operações dólar-cabo: "Mas com a documentação fornecida pela Justiça americana, que inclui extratos de contas contendo nomes de beneficiários, é possível continuar o rastreamento. Com estas prisões, a força-tarefa conclui mais uma etapa de uma investigação que começou em setembro de 2003", disse o procurador.

Wladimir Aras adiantou que também deverá ser ouvida, como testemunha, a portuguesa Maria Carolina Nolasco, que gerenciava duas contas operadas nos Estados Unidos pelo grupo no MTB Bank, e três no Merchants Bank. Nolasco está sendo investigada pela Promotoria Federal de Nova Jersey e pelo Departamento de Segurança de Newark, naquele país.

A organização também vinha sendo investigada por autoridades norte-americanas. A partir da apreensão de um carregamento de cocaína, o DEA (Agência de Combate ao Narcotráfico), o DHS (Departamento de Segurança Nacional) e as Promotorias Federal e do Estado de New Jersey, identificaram 39 contas, dentre as quais as 5 movimentadas pela organização, suspeitas de lavagem de dinheiro oriundo, dentre outros crimes, do tráfico de drogas. Essas investigações culminaram no bloqueio de mais de US$ 10 milhões nessas contas.

O grande volume de operações nas contas CC-5, realizadas em Foz do Iguaçu e autorizadas pelo Banco Central, ainda na gestão de Gustavo Franco, começaram a chamar a atenção do procurador federal Celso Três, em 2000, quando o Banestado ainda não havia sido privatizado.

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