A Polícia Federal concluiu nesta quarta-feira (30) o inquérito sobre o envolvimento da senadora Gleisi Hoffmann (PT) na Operação Lava Jato, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A suspeita é que dinheiro desviado da Petrobras tenha abastecido a campanha da petista ao Senado em 2010.
De acordo com o portal de notícias G1, a PF afirma ter indícios suficientes contra Gleisi e o marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, por suposto envolvimento em crime de corrupção. Para a PF, há indícios de que Gleisi recebeu R$ 1 milhão desviado da Petrobras para a campanha.
O STF informou, por meio da assessoria de imprensa, que o processo retornou ao Supremo após diligências na Polícia Federal, mas não confirmou o conteúdo do documento protocolado.
Em 2014, o doleiro Alberto Youssef afirmou em sua colaboração premiada que deu R$ 1 milhão a um empresário dono de um shopping de Curitiba, valor que seria entregue à campanha de Gleisi. O dinheiro teria sido entregue em quatro parcelas: três no centro de compras e outra na casa do empresário, em um condomínio de alto padrão da capital paranaense.
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa também afirmou em colaboração premiada que a senadora petista recebeu dinheiro desviado da Petrobras. O ex-diretor disse que recebeu pedido para “ajudar na candidatura” da petista. A solicitação, afirmou, foi feita por Youssef.
Em junho, os dois colaboradores participaram de uma acareação na Polícia Federal em Curitiba e voltaram a falar do pagamento de propina para a senadora. Segundo os colaboradores, o dinheiro foi enviado pela Odebrecht. Os dois divergem em suas versões sobre quem teria efetivamente realizado a entrega dos recursos.
Em depoimento no ano passado à Polícia Federal, Gleisi e o ex-ministro Paulo Bernardo negaram as irregularidades e disseram que a campanha da petista não recebeu valores desviados da estatal.
Em nota, a senadora afirmou que “todas as provas que constam no inquérito comprovam que não houve solicitação, entrega ou recebimento de nenhum valor pela senadora Gleisi Hoffmann ou pelo ex-ministro Paulo Bernardo”. “São inúmeras as contradições nos depoimentos dos delatores, as quais tiram toda a credibilidade das supostas delações. Um deles apresentou, nada mais, nada menos, do que cinco versões diferentes para esses fatos, o que comprova ainda mais que eles não existiram”, diz um trecho da nota.
O advogado de Gleisi, Rodrigo Mudrovitsch, não foi localizado para comentar o indiciamento.