A filha do engenheiro Shinko Nakandakari, delator da Operação Lava Jato, pagou R$ 260 mil à empresa Yuny Projetos Imob, controlada pelos filhos do ex-assessor especial da Presidência da República e advogado José Yunes. O pagamento de Juliana Nakandakari para a empresa de Marcos e Marcelo Mariz de Oliveira Yunes consta de laudo de perícia criminal, da Polícia Federal. Shinko Nakandakari é apontado pelos investigadores como operador de propina da empreiteira Galvão Engenharia.

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“As principais entradas foram oriundas da Galvão Engenharia da Contreras Comércio de Materiais, totalizando aproximadamente RS 1,98 milhão. As principais saídas identificadas deram-se para contas de Shinko Nakandakari (RS 924 mil), Yuny Projetos Imob (R$ 260 mil) e saques em espécie (RS 225 mil)”, apontou a Federal baseada em declarações de Juliana, sem informar em que ano se deu a transferência.

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Amigo do presidente Michel Temer há 50 anos, José Yunes foi citado na delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. Segundo o executivo, o escritório de Yunes em São Paulo era um dos lugares usados para entrega de dinheiro destinado às campanhas do PMDB.

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Yunes disse ter intermediado o recebimento e entrega de “um envelope” para o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, em 2014. O ex-assessor relatou ter recebido o doleiro Lúcio Funaro, apontado por investigadores da Lava Jato como operador de propinas do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Funaro foi preso em junho de 2016 na Operação Sépsis, da Polícia Federal. Eduardo Cunha está preso desde o dia 19 de outubro do ano passado.

O documento da PF sobre as contas da família Nakandakari foi elaborado em 22 de dezembro de 2016 e anexado aos autos da Lava Jato em 27 de janeiro deste ano. Foram analisadas as contas bancárias de Juliana Nakandakari, seu irmão Luis Fernando Nakandakari, seu pai Shinko e de Lia Maura Tiemi Sendai Nakandakari.

Nas contas de Luis Fernando Nakandakari, a PF identificou que “a principal origem dos recursos do investigado foram resgates de aplicações financeiras existentes antes do início do período do afastamento do sigilo bancário (líquido de R$ 4,6 milhões)”. A principal saída foi destinada ao pai, RS 2,3 milhões.

Os objetivos doa laudo eram “relacionar as contas bancárias existentes para cada investigado”, “relacionar débitos e créditos das contas”, “relacionar os principais destinos origens do numerário que transitou pelas contas dos investigados”, “identificar eventuais depósitos feitos pelas empresas Galvão Engenharia, Consórcio Rnest, EIT- Empresa Industrial Técnica, Engevix Engenharia e Contreras Empreendimentos e Construções LTDA”.

A PF relacionou os débitos e créditos nas contas da família. Entre 2013 e 2015, Juliana Nakandakari teve R$ 9.983.210,72 em créditos e R$ 9.983.665,05 em débitos. No mesmo período, Luiz Fernando Nakandakari teve R$ 10.609.085,01 em créditos e R$ 10.599.221,38 em débitos. Entre 2003 e 2014, Shinko Nakandakari fez 2498 operações: R$ 9,881.654,35 em crédito e R$ 9.882.549,40 em débito.

Além de ter sido apontado como operador de propina em nome da empreiteira Galvão Engenharia – uma das 16 empreiteiras do cartel -, Nakandakari trabalhou por 16 anos na construtora Norberto Odebrecht. Shinko foi gerente na empresa entre 1976 e 1992.

Defesas

o advogado Rogério Taffarello, que defende a família Nakandakari, informou que o pagamento em questão se refere à compra de um apartamento. A assessoria de imprensa da Yuny Incorporadora não retornou o contato feito pela reportagem.