O chefe de gabinete do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), Amauri Martins Escudeiro, não prestou depoimento ontem na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, alegando que não tinha recebido a notificação para que se apresentasse. "Eu soube que deveria depor pelos jornais, na última quarta-feira", disse. Escudeiro foi convidado pela PF para prestar depoimento após ser deflagrada a Operação Castores, que investiga denúncias de tráfico de influência e corrupção ativa e passiva na Itaipu Binancional, Furnas Eletrosul e Eletronorte.

Na última terça-feira, dia 23, Escudeiro embarcou para Brasília no Aeroporto Afonso Pena com uma mala, de 64 quilos de documentos, pertencente ao economista e ex-funcionário de Itaipu, Laércio Pedroso, detido pela PF na Operação Castores. Pedroso iria a Brasília participar de uma audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa nacional, que pretendia esclarecer denúncias de suposto caixa dois em Itaipu. As denúncias foram publicadas pela revista Istoé no início do ano, em que a única fonte era o economista. Escudeiro alega que não sabia o teor dos documentos que estava levando para Brasília. A PF quer que ele esclareça o fato.

O advogado de Escudeiro, Leandro Souza Rosa, afirmou que conversou com o delegado da Polícia Federal (PF) Fernando Francischini e justificou o não comparecimento do chefe de gabinete de Hauly. "Somente ontem à tarde é que foi encaminhado um documento ao gabinete do deputado Hauly, de modo que Amauri (Escudeiro) não tinha como saber que deveria depor", disse o advogado. A PF informou que vai aguardar Escudeiro ser notificado, para depois poder colher suas declarações.

Segundo a assessoria da Presidência da Câmara Federal, o convite para que Escudeiro prestasse declarações na PF em Curitiba chegou no dia 24, mas as tentativas de encontrá-lo foram vãs. A assessoria da Presidência da Câmara informou que Escudeiro alegou diversos motivos para não receber a notificação, dizendo primeiramente que estava em viagem e, depois, que estava em reunião. A diretoria da Câmara vai entrar em contato com a PF para tentar marcar o depoimento para a próxima semana.

De acordo com a PF, das seis pessoas detidas na Operação Castores, até agora somente Pedroso deu seu depoimento e os demais devem ser coletados nos próximos dias. A PF continua a analisar os documentos que estavam na mala apreendida. No mesmo dia da prisão de Pedroso, a PF o levou até a sede da Itaipu em Curitiba, onde teve acesso a senhas e a computadores da empresa, ficando por cerca de uma hora e meia no local, sem conseguir comprovar irregularidades.