Possível sucessor de Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado, o senador Jorge Viana (PT-AC) é visto como um político de perfil moderado, com facilidade de interlocução e bom trânsito entre os mais diversos setores e partidos políticos. Amigos lembram que Viana governou o Acre entre 1999 e 2006 em aliança com o PSDB, fato único na época.

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“Jorge tinha uma relação muito próxima com Fernando Henrique e dona Ruth Cardoso. Eles nos ajudaram muito”, lembra o ex-governador Binho Marques, que sucedeu a Viana no comando do Acre.

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Filho do ex-deputado federal Wildy Viana (Arena) e sobrinho do ex-governador biônico Joaquim Macedo, Viana foi presidente do Centro Acadêmico da faculdade de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UNB), onde de aproximou dos movimentos de esquerda.

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De volta ao seu Estado natal, ajudou a fundar a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac). Ali, tomou contato com o trabalho do ambientalista Chico Mendes e implantou os primeiros projetos de exploração sustentável que desembocariam, anos depois, no Governo da Floresta, entre 1999 e 2006.

Em 1986, ajudou a coordenar a campanha de Chico Mendes a deputado estadual em dobradinha com Marina Silva, hoje na Rede, federal. Com o assassinato de Mendes, em 1988, criou corpo o grupo que comanda o Acre até hoje, composto a pelo atual governador, Tião Viana (PT), seu irmão.

No PT, o senador é visto como homem próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos foram apresentados por Chico Mendes e foi Lula quem afiançou internamente a aliança com o PSDB. Também foi Lula quem indicou Viana para um curso de planejamento estratégico no Instituto Latino-Americano de Desenvolvimento Econômico e Social (Ildes), em 1991. Dois anos depois, Viana assumiria a prefeitura de Rio Branco, hoje a única capital ainda comandada pelo PT.

A aliança com o PSDB terminou no final do seu segundo mandato, com o definhamento dos tucanos no Acre, mas rendeu uma gestão que transformou o estado.

“Não era uma disputa entre grupos políticos. Era entre as pessoas de bem e bandidos. Transformamos o Acre de um lugar onde as pessoas eram serradas com motosserras em um Estado que crescia em média de 5% a 7% ao ano, acima da média nacional”, lembra o ex-secretário de Planejamento Gilberto Siqueira.

No Senado desde 2011, Viana foi relator do polêmico projeto do Código Florestal e, indicado pelo PT, chegou à vice-presidência da Casa, onde passou a ter afinidade com Renan. Segundo interlocutores, desde junho, quando se consolidou a possibilidade da queda de Eduardo Cunha na Câmara e de um efeito em cascata, o petista adotou um estilo mais discreto, já se preparando para a possibilidade de assumir a presidência.

Em setembro, a Lava Jato conduziu coercitivamente o ex-assessor parlamentar Mario Manucci, ligado a Viana. Os investigadores suspeitavam que o senador fosse o “menino da floresta” citado em planilhas da Odebrecht. Viana nega. O senador não é formalmente citado nem investigado na Lava Jato. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.