Pessuti sinaliza que vai de Lula para presidente

O vice-governador do Paraná e candidato à reeleição, Orlando Pessuti (PMDB), sinalizou ontem o apoio a mais um mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Foz do Iguaçu. Pessuti manifestou sua simpatia pela candidatura Lula após recepcionar o presidente na chegada ao encontro promovido pela Associação dos Municípios do Paraná, em um hotel da cidade. Questionado por um integrante da assessoria da campanha do presidente no Paraná, em quem votaria para presidente nesta eleição, o vice-governador respondeu que seu voto é de Lula.

A agenda de Lula em Foz do Iguaçu começou com quase três horas de atraso. A previsão inicial da chegada era 14h30, mas o presidente desembarcou na cidade por volta de 16h, no aeroporto Internacional de Foz, onde foi recebido pelo governador Roberto Requião (PMDB). O presidente veio ao Paraná com os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, da Educação, Fernando Haddad, das Minas e Energia, Silas Rondeau, e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende.

Lula e Requião conversaram por alguns minutos a sós no aeroporto, observados de longe pela comitiva de recepção ao presidente. O conteúdo do diálogo não foi divulgado. Requião acompanhou Lula numa visita à Usina de Itaipu, que foi abreviada devido ao horário e depois voltou a Curitiba, justificando que tinha que estar na cidade para abrir a exposição sobre o Japão, no Museu Oscar Niemeyer.

Lula e Requião visitaram a Fundação Parque Tecnológico de Itaipu, conhecendo as instalações que poderão abrigar a futura Universidade do Mercosul, que será financiada em conjunto por Brasil e Argentina. O coordenador da campanha do presidente no Paraná e ex-diretor-geral da Usina, Jorge Samek, participou de parte da visita.

O presidente respondeu apenas a duas perguntas dos jornalistas, após a visita à Usina de Itaipu. Ele declarou que ficou ?boquiaberto? com as instalações do Parque e que seria um lugar adequado para abrigar a futura Universidade do Mercosul. ?É um exemplo excepcional. Fiquei boquiaberto com os avanços que observei. É um sinal extraordinário de que entramos na rota de qualificar e transformar a educação em prioridade. Porque sem educação não daremos os passos que o Brasil precisa dar?, afirmou.

Questionado se estava em Foz do Iguaçu na condição de presidente da República ou de candidato à reeleição, Lula disse que é tênue a linha que separa as duas posições. Ele comentou que as diferenças são tão pequenas, que em um determinado momento está sendo entrevistado como candidato e, no instante seguinte, está despachando como presidente.

Roteiro

Pessuti passou a acompanhar o presidente a partir do início da reunião promovida pela Associação dos Municípios do Paraná entre o presidente e cerca de trezentos prefeitos. No Hotel onde foi realizada a reunião com os prefeitos, Lula encontrou-se também com o candidato do PT ao governo do Estado, Flávio Arns, a candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann,

No encontro, os prefeitos apresentaram uma pauta de reivindicações ao presidente, destacando suas propostas para a reforma tributária. Depois da reunião com os prefeitos, o presidente se dirigiu à Convenção das Federações das Associações Comerciais e Industriais do Paraná. Hoje, Lula irá se reunir com presidentes de cooperativas do Estado.

Mensalão: Lula recorre a um hábito gaúcho

Porto Alegre (AE) – O presidente Lula recorreu ontem a uma imagem de vida doméstica do Rio Grande do Sul para responder sobre o ?mensalão?, durante entrevista à ?Rádio Gaúcha?, de Porto Alegre. ?Muitas vezes você está na cozinha de sua casa, tomando chimarrão, e não sabe o que seu filho está fazendo na sala ao lado?, comparou. Lula disse que um presidente toma conhecimento dos fatos quanto participa deles, quando é informado pelos participantes ou ocorre uma denúncia. E alegou que, quando houve a denúncia, tomou as providências cabíveis, afastando quem deveria e acionando as investigações necessárias.

Na seqüência, o presidente largou uma frase enigmática, dizendo que não iria abordar ?coisas que poderia falar e os adversários sabem?, porque ?o povo brasileiro merece respeito?. Questionado sobre a declaração, explicou que foi candidato várias vezes e houve momentos em que foi instigado a fazer denúncias contra adversários. ?Eu nunca fiz?, afirmou. ?Porque ou eu tenho prova ou eu não digo.?

Lula voltou a lembrar que nenhum de seus antecessores governou com tantas comissões parlamentares de inquérito (CPIs) em funcionamento ao mesmo tempo. ?Não há na história precedente um presidente da República que tenha trabalhado com três CPIs funcionando, das quais uma delas não tinha objetivo de investigar nada, a não ser tentar envolver o nome do presidente da República em alguma coisa?, reclamou, para destacar que os três relatórios ?não encontraram nada?.

Apesar das reclamações, Lula admitiu que se houver necessidade de outras CPIs, não interferirá. ?A única coisa que eu quero é seriedade, porque o povo brasileiro não comporta mais esse tipo de comportamento?, comentou, numa referência a acusações sem provas.

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