O deputado federal Rodrigo Rocha Loures seria indicado candidato a vice-governador na chapa do senador Osmar Dias (PDT), escolhido pelo governador Orlando Pessuti (PMDB) e com as bençãos do PT.

Esta era a fórmula que circulava ontem nos bastidores da política paranaense para se contrapor às informações dos tucanos e alas do PDT garantindo que falta muito pouco para que o senador Osmar Dias diga “sim” para uma aliança com o ex-prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) na qual seria candidato ao Senado.

Pessuti teria a “chave” para permitir a recomposição do velho projeto de construção de um palanque único para a ex-ministra Dilma Rousseff (PT) com os partidos da base aliada do governo do presidente Lula, no Paraná.

Embora, publicamente, o governador sinalize na direção contrária, de que não abdica da candidatura à reeleição em nenhuma hipótese, a versão de ontem à tarde era que Pessuti poderia abrir mão desse projeto para ser alçado à condição do articulador do palanque da ex-ministra no Paraná.

Após intervenção do diretório nacional do PT que forçou o apoio à reeleição de Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão e do acordo em Minas Gerais que avalizou a candidatura do ex-ministro Hélio Costa (PMDB) ao governo, a direção nacional do PT intensificou a pressão para que a cúpula do PMDB viabilize o palanque único no Paraná.

O líder da bancada do PDT na Assembleia Legislativa, deputado Luiz Carlos Martins, disse que não há nada definido. E defendeu a ampliação do diálogo interno sobre alianças para que outras lideranças também possam se expressar sobre o assunto.

Até agora, além do senador Osmar Dias, o trânsito das articulações e informações está restrito ao presidente estadual do PDT, deputado Augustinho Zucchi, que tem inclinação por uma aliança com os tucanos. “Essas conversas não podem se limitar a duas ou três pessoas”, comentou.

Sinal verde

Enquanto isso, o senador Osmar Dias estava se preparando para participar da reunião da executiva nacional do PDT, hoje, em Brasília. Como a convenção nacional realizada no sábado passado, em São Paulo, não deliberou sobre a política de alianças nos estados, a executiva irá discutir caso a caso como ficam as composições do PDT nos estados onde, como no Paraná, existe a possibilidade de o partido se aliar aos adversários nacionais do PDT e PT.

A executiva nacional do PDT analisará a situação específica do Paraná, onde os tucanos propuseram ao PDT a vaga de candidato ao Senado para Osmar e a indicação do vice-governador.

O caso é parecido com o do Maranhão, com a diferença de que lá, o pedetista Jackson Lago (PDT) é que deverá ter o apoio do PSDB para sua candidatura ao governo.

As dúvidas dos pedetistas não serão sanadas apenas com as orientações da direção nacional. Para saber se poderá subir ao palanque tucano no Paraná, o PDT também precisa de informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Uma das perguntas, ainda sem resposta, é se Osmar e o PDT poderão apoiar o ex-governador José Serra à presidência da República, caso decidam se coligar aos tucanos.

O presidente estadual do PSDB, deputado Valdir Rossoni, disse que o partido espera pela resposta do senador Osmar Dias até o próximo sábado, dia da convenção estadual tucana. Para Martins, entretanto, o PDT não tem que se submeter a prazos. “Ainda que pressão seja normal, não é hora. A hora é de conversar”, afirmou.