Enquanto a direção estadual procura um jeito de mudar o PMDB em Curitiba, o ex-governador Orlando Pessuti (PMDB) defende a reformulação geral do partido em todos os municípios do estado. O partido deve se reestruturar para ganhar um fôlego novo e se abrir para novas lideranças, como o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) e também o senador Osmar Dias (PDT), convidou o ex-governador.

Depois de oito anos de governo, o PMDB precisa se adaptar à uma nova realidade, avaliou Pessuti. “O que está ocorrendo em Curitiba é bem natural. O partido necessita se revigorar. Há uma nova realidade política no estado e para o PMDB também”, apontou Pessuti.

Nem Gustavo nem Osmar disseram publicamente que gostariam de ingressar no PMDB, mas o ex-governador acha que o partido poderia ser o destino natural de ambos, se decidirem deixar suas respectivas siglas. Gustavo enfrenta dificuldades no PSDB para concorrer à prefeitura de Curitiba e Osmar está em silêncio, mas circulam versões de que está em busca de um novo partido para reprogramar seu futuro político.

Osmar e Gustavo têm sido sondados por setores do PMDB para retornarem ao partido. Os convites a um e a outro partem das mesmas alas que querem quebrar a hegemonia do senador Roberto Requião no PMDB. “Se eles quiserem vir é preciso abrir espaço para eles. Porque todos sabem que nenhum desses líderes virá se não for para ter espaço assegurado no partido. Eles não virão para o PMDB para ser refém de alguém”, disse Pessuti.  

Casos especiais

No caso de Curitiba, Pessuti concorda com a ala que busca remover do cargo o atual presidente do diretório, Doático Santos do cargo. Para o ex-governador, o histórico eleitoral do partido na cidade justifica a necessidade de uma reformulação. “São seis eleições sem vitória em Curitiba. E quem foi que coordenou o processo ao longo do tempo? Os mesmos. Então, está na hora de reformular”, disse.

Mas Curitiba não é o único espaço onde o PMDB reclama mudanças na avaliação do ex-governador. “Nós estamos nos perguntando como está o partido em Paranaguá, em Londrina, em várias cidades”, disse.

Um dos exemplos citados por Pessuti é Foz do Iguaçu, onde a liderança peemedebista local, o ex-deputado Dobrandino da Silva, não quis disputar a reeleição para a Assembleia Legislativa e avalizou a transferência do filho, Sâmis, para o PSDB. “Em Foz, houve um processo de desestruturação do partido. Assim como em outras cidades”, observou o ex-governador.

Pessuti disse que já conversou com o senador Valdir Raupp, presidente nacional em exercício do PMDB, para alterar as datas das convenções municipais e estadual do partido e, assim, antecipar a reorganização dos diretórios.  

As convenções estão programadas para o final do ano, depois de outubro, quando vence o prazo de filiação dos candidatos às eleições de 2012. “Se deixarmos tudo para depois, não vamos conseguir nos reorganizar para as eleições. Os deputados e os prefeitos pensam assim também”, justificou o ex-governador.