Foto: Maria Tereza Correia

Geraldo Alckmin perde força.

Um dos principais efeitos da pesquisa divulgada ontem sobre o PSDB será a definição mais rápida possível do candidato do partido para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido concluiu que está perdendo tempo com o impasse entre seus dois pré-candidatos, o prefeito de São Paulo, José Serra, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Os líderes tucanos chegaram a estabelecer um prazo de consenso para definir o candidato: dia 10 de março.

Uma das conclusões das lideranças do PSDB é que o prolongamento da disputa interna do partido favorece Lula, que faz campanha praticamente sozinho e se beneficia de um desgaste dos dois eventuais oponentes do principal partido de oposição. No PSDB, a candidatura de Lula é dada como certa por dois motivos: ele já está em campanha e o PT não tem outro nome. A pressa tucana favorece Serra, que se consolida como o principal adversário de Lula. A decisão vai ser da cúpula, na qual a opinião do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso será decisiva. As prévias pedidas por Alckmin foram para o espaço. A direção do partido pende para o lado de Serra em função das pesquisas e o único que está com um pouco de dúvida é o presidente da legenda, Tasso Jereissati. FHC diz com todas as letras: ?Quero um nome que derrote o Lula?, diz. E para ele, este nome é Serra.

O que mais assustou o PSDB foi a possibilidade de Lula vencer no primeiro turno caso o candidato seja Alckmin. Se Serra já não é uma garantia, Alckmin é cada vez menos. Para não ficar feio para o governador paulista, o PSDB vai tentar apresentar a Alckmin a impressão de que fez uma consulta às principais lideranças do partido, governadores e bancadas no Congresso, para não deixar claro que cedeu ao peso das pesquisas que apontam José Serra como o melhor candidato do partido. Ciente desta realidade, Serra prefere ficar quieto. Nem comenta a performance de Lula.

Mas Alckmin ainda fala: ele avaliou o forte crescimento de Lula nas pesquisas como resultado da ?enorme exposição? do petista na mídia. Alckmin disse ainda que vê com otimismo e humildade a ligeira alta de seu desempenho. ?Recebo com otimismo porque estou fora dos meios de comunicação, não tenho acesso aos meios de massa?, disse Alckmin. Ele apontou situação oposta para Lula.

Quanto aos outros adversários, está se desenhando um quadro em que serão meros figurantes. Mas eles não passam recibo. O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PMDB), enfrenta resistência dentro da própria legenda para ser candidato. Mas está melhor posicionado eleitoralmente que o governador gaúcho, Germano Rigotto (PMDB), o preferido dos caciques peemedebistas, mas com uma perfomance que beira o desastre. Ambos preferiram desdenhar o resultado da pesquisa.

Garotinho disse que não está preocupado com o alto índice de rejeição contra o nome dele (59,1%), registrado na pesquisa. Garotinho disse que a pesquisa é falha ao medir rejeição coletivamente. ?Isso é erro de metodologia?, afirmou. ?Todos os candidatos tiveram rejeição alta. Por esse sistema de escolha, a pessoa tem o seu candidato e, automaticamente, inclui todos os outros em sua lista de rejeição, o que é errado.?

O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), pré-candidato a presidente, avaliou que as pesquisas sempre refletem o momento, ao comentar a mais recente sondagem. Num dos cenários em que o nome de Rigotto foi incluído na consulta, ele recebeu 2,5% das intenções de voto. O governador do Rio Grande do Sul ressaltou que ainda não conhecia os números e previu que, em maio, ou junho ?vamos ter o jogo sendo jogado?.