Evandro Monteiro/O Estado
Luciano Ducci: na coluna dos ?inimigos? do PDT.

O apoio que deu à reeleição do governador Roberto Requião (PMDB), no primeiro turno da campanha eleitoral, vai ter conseqüências nas eleições de 2008 para o vice-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSDB). Em reunião ontem de manhã, num hotel em Curitiba, com os deputados estaduais que o apoiaram na campanha para o governo, o senador Osmar Dias (PDT) disse que esperava uma outra posição do vice-prefeito na campanha. Já o líder do PDT na Assembléia Legislativa, deputado Luiz Carlos Martins, foi mais claro: na reeleição do prefeito Beto Richa (PSDB), se o candidato a vice-prefeito for Ducci, o PDT está fora da composição.

Ducci apoiou Requião no primeiro turno, enquanto Beto estava neutro. No segundo turno, o prefeito de Curitiba aderiu à campanha do senador pedetista e o vice-prefeito retirou-se da coordenação eleitoral de Requião. Mas não apoiou Osmar. O senador não perdoou a omissão. Em conversa com os deputados do PDT, PSDB, PPS e PP, Osmar afirmou que apoiou Beto e Ducci em 2004 e que esperava a retribuição.

O presidente estadual do PSDB, deputado Valdir Rossoni, estava presente ao encontro. ?Cada pessoa reserva o seu lugar com as suas atitudes. O Osmar apoiou o Luciano Ducci para vice-prefeito. Ele não retribuiu o apoio. Por que o senador teria que apoiar alguém que não o apoiou??, resumiu o dirigente tucano.

Martins afirmou que o PDT pretende discutir quem será o próximo candidato a vice-prefeito na chapa de Beto à reeleição. Assim como o PSB, partido que Ducci deixou para se transferir ao PSDB. O presidente estadual do partido, Severino Cavalcanti, disse que na reunião que não aceita mais o atual vice-prefeito na chapa de Beto.

O vice-prefeito não quis responder ao senador. Por meio de sua assessoria, disse que cabe ao prefeito Beto Richa se manifestar sobre o assunto. Ducci entende que a cobrança de Osmar foi feita a Beto. E que ele, na condição de vice-prefeito, espera que o prefeito se posicione.

Quando decidiu apoiar Requião, no início da campanha, Ducci afirmou que sua posição foi aprovada por Beto. No segundo turno, alegou que deixava a campanha de Requião para não criar constrangimentos ao prefeito.

Líder do grupo tucano que apoiou Requião, o vice-presidente estadual do PSDB, deputado Hermas Brandão, não quis entrar na polêmica. Declarou apenas que Ducci é uma liderança política não apenas em Curitiba, mas em todo o estado. ?Qualquer titular teria muita satisfação em tê-lo como vice?, disse.

Em bloco

Nos bastidores, a versão é que Ducci não pretende suportar nenhum tipo de pressão e estaria negociando sua transferência para o PMDB. Entretanto, a direção municipal do partido garante que não há nenhuma conversa neste sentido. Mas se houvesse interesse do vice-prefeito, o PMDB veria com bons olhos, disse o presidente do partido em Curitiba, Doático Santos.

?As portas do PMDB estão abertas para ele?, afirmou o presidente do partido. Ele disse ainda que Ducci poderia ser parte do projeto de disputa à prefeitura de Curitiba que já começou a ser construído pelo partido. Doático citou que o PMDB tem vários nomes, como os deputados Luiz Cláudio Romanelli, Mauro Moraes e Rodrigo Rocha Loures, para concorrer à prefeitura. E que Ducci poderia ser também uma alternativa para 2008.