O PDT vai apresentar emendas para elevar o salário mínimo de 2011 a R$ 560 ou R$ 580, apesar da orientação do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para que aliados não apresentem emendas à Medida Provisória que o governo enviará ao Congresso propondo um piso de R$ 545. “Não é assim não, isso aqui é um parlamento”, reagiu o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical.

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“Se o governo quiser passar o rolo compressor ele vai, mas antes vai ter de colocar o Exército para cercar o Congresso”, afirmou o deputado. Ele avisou que as centrais farão uma grande mobilização. “Aí, vamos ver como será a votação”, ameaçou. Paulinho acrescentou que o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) vai propor R$ 565 e o PSDB defenderá os R$ 600 prometidos pelo candidato do partido, José Serra, durante a campanha eleitoral.

Para o deputado, o governo cometerá um erro se romper a negociação com as centrais sindicais em torno do valor do salário mínimo. “Fica um rescaldo para o futuro”, comentou. “Derrotar aliados é uma coisa ruim, um erro que estão levando a Dilma a fazer.”

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, avalia que o que está em discussão é muito mais do que o valor do salário mínimo. “É uma visão de política econômica”, disse. O governo, por intermédio do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sustenta que não pode pagar um piso salarial maior porque, entre outras razões, isso pressionaria a inflação. “A questão é que não temos uma inflação de demanda”, argumenta o presidente da CUT. “Todos sabemos que a inflação tem um pico no início do ano por causa de mensalidades escolares e transporte e, além disso, há muita especulação com os preços dos alimentos.”

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Santos não acha que as centrais tenham sido deixadas de lado pelo governo na discussão do mínimo. “Apenas houve um impasse e eles resolveram enviar a MP com R$ 545”, disse. “Mas as negociações continuam em torno de outros pontos da pauta.” Ele se refere à correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e à lei que consolidará a regra de reajuste do mínimo para os próximos anos.

Os presidentes da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antônio Neto, e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, ainda esperam dialogar com o governo sobre o mínimo. “É uma encenação”, avaliou Patah. “Eles estão esticando a corda.” Neto observou que, na última sexta-feira, quando houve reunião entre governo e centrais, o ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, havia se comprometido a dialogar com as centrais.

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