O presidente estadual do PDT, Augustinho Zucchi, disse que uma aliança entre o PT e o PDT para o governo do Estado no próximo ano ainda depende de muita conversa e inúmeras costuras políticas.

“Tem muito ainda a se percorrer para fechar uma aliança. A começar que não tem essa decisão nem da parte do PT nem da parte do PDT”, declarou Zucchi, ao comentar as cobranças feitas pelo deputado federal André Vargas, que pediu um sinal mais afirmativo do senador Osmar Dias, pré-candidato do PDT ao governo, do interesse em fazer uma coligação para as eleições de 2010.

A decisão do PSDB de formalizar a pré-candidatura do prefeito de Curitiba, Beto Richa, ao governo, além do nome do senador Alvaro Dias, não fechou todas as portas para uma aliança com os tucanos no Paraná, avisou Zucchi.

“Se o PSDB definir a candidatura do partido, independente de quem quer que seja, aí sim, nós vamos construir nossa aliança em outra perspectiva, que no caso é o PT”, afirmou.

Zucchi afirmou que toda a negociação com o PT foi iniciada pelo presidente Lula com a participação dos ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do Planejamento, Paulo Bernardo, e que a conclusão terá os mesmos interlocutores.

O que não impede que Osmar converse com vários petistas que o procuraram e exponha suas posições, afirmou Zucchi, citando que o senador recebeu anteontem, 23, o deputado federal Assis do Couto, que acompanhava representantes de cooperativas de agricultura familiar que foram oferecer sugestões ao plano de governo do pedetista.

Erros de condução

A forma como foi anunciada a pré-candidatura de Beto e a maneira como Osmar foi convidado a se integrar ao projeto tucano criaram um mal-estar no PDT, mas ainda não o suficiente para uma resposta definitiva do senador ao chamado do presidente Lula, informou Zucchi.

“Que o Beto Richa era pré-candidato, todo mundo sabia. Afinal, ele está percorrendo o Paraná desde a sua eleição no ano passado. E não fazia isso para apoiar o Alvaro. Então, para nós, não mudou nada. O problema é como isto está sendo feito”, disse o dirigente do PDT, exigindo o que chamou de “respeito” de setores tucanos à candidatura de Osmar.

Os pedetistas se ressentem quando o senador é “convidado” a se integrar ao grupo na condição de um possível candidato ao Senado. “O Beto sempre soube que o Osmar era candidato ao governo. Após, a eleição do ano passado é que o quadro mudou. Mas quem mudou foi o PSDB, não o PDT”, comentou.

O presidente estadual do partido deu a entender que as brechas para o diálogo estão sendo mantidas pela direção nacional do PSDB. Ao ser questionado qual seria o sinal que Osmar espera dos tucanos para considerar desfeito o acordo de 2008, quando o PSDB prometeu apoiar sua candidatura, Zucchi respondeu: “Talvez, algumas lideranças nacionais estejam conversando com o Osmar. Mas o que importa é que o Beto não é nosso adversário, mas ainda é um pretenso concorrente”.