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Caíto Quintana nega acusações e diz
que tudo é choro de "mau perdedor".

A Executiva estadual do PPS abriu guerra contra o PMDB e por extensão, ao Palácio Iguaçu. Em nota oficial assinada pela executiva estadual, o PPS acusa o PMDB de aliciar prefeitos do partido em troca de obras financiadas pelo governo do Estado. Aliado do PMDB no segundo turno das eleições de 2002 e com um representante no primeiro escalão do governo – o presidente da Compagás, Rubico Camargo – o PPS anunciou que está intervindo em todos os diretórios dos municípios onde prefeitos do partido se transferiram para o PMDB. Os dois primeiros foram os diretórios de Farol e de São Pedro do Ivaí.

O governo do Estado, por meio do secretário da Casa Civil, Caíto Quintana, rebateu as acusações do PPS, que classificou como expressão do "choro do mau-perdedor". Em nota divulgada no final da tarde, Quintana disse que o PPS fez referências consideradas "injustas" ao partido e ao governo. "Toda e qualquer referência desabonadora ao governo e ao PMDB do Paraná, soa deslocada, imprópria, extemporânea, injusta, incompreensível", devolveu o chefe da Casa Civil.

Na nota, o PPS acusa o PMDB de práticas semelhantes àquelas que estão sendo denunciadas no governo federal, em que deputados receberiam mesadas para apoiar o governo. "Essa prática dos partidos que estão no poder de assediarem prefeitos para se filiarem na mesma legenda do governador ou do presidente da República, não deixa de ser uma compra de apoio. Não em parcelas mensais, como no caso do mensalão, mas uma espécie de contratação por empreitada. Ou seja, você me faz isso que eu te dou aquilo", diz a nota do diretório estadual do PPS, acrescentando que o comportamento do PMDB e dos prefeitos que se filiam na sigla "não passa de prostituição política, pura e simples".

Segundo Quintana, foram apenas três os prefeitos do PPS que se filiaram ao PMDB. Na nota, o secretário disse que as comparações feitas pelo PPS entre o processo de filiação de prefeitos e a crise política nacional são "absurdas" e que os termos usados pelo partido aliado são "pouco educados e descolados da realidade". Quintana declarou ainda estranhar o tom da nota oficial do PPS, já que o partido faz parte do governo e conforme o chefe da Casa Civil, ocupa vários cargos na administração pública estadual, além da presidência da Compagás.

Sem limites

O deputado estadual Marcos Isfer disse que o PMDB está passando dos limites e não está tendo um comportamente de aliado. E que o assédio a prefeitos do partido pode levar a um afastamento do PPS do governo. "Nós já fizemos vários alertas. Uma coisa é um prefeito querer sair do partido. Isso é direito dele. Mas trocar obra por filiação é demais", disse Isfer.

O secretario-geral do PPS do Paraná, Rubico Camargo, a decisão de dissolver os diretórios é para evitar que o partido se transforme em legenda de aluguel. "Não podemos deixar que esses diretórios fiquem dominados por pessoas que traíram os ideais do Partido", disse Camargo.

Tradição

Quintana afirmou que a procura de prefeitos e filiados do PPS pelo PMDB é um processo que ocorreu em outros partidos, já que na cultura política brasileira, há uma atração pelo partido que está no poder. "Isso já aconteceu com o PMDB, antes. Agora, o Rubens (presidente estadual do PPS) é tão próximo da gente e sabe que não é o estilo do Requião sair por aí cooptando ninguém. As pessoas procuram o PMDB e nós não vamos dizer "você está proibido de entrar no PMDB". Isso não existe", afirmou.