Foto: Divulgação

Fernando Lugo: favorito.

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Com menos de 10 pontos percentuais separando o líder das pesquisas do terceiro colocado, as eleições de amanhã são uma incógnita para o povo paraguaio. Pela primeira vez desde que as eleições diretas foram instituídas, o Partido Colorado está realmente ameaçado de perder o poder.

E os dois principais motivos são o surgimento de uma novidade (a candidatura de Lugo) e a rejeição ao atual presidente Nicanor Duarte, agravada com a tentativa de se mudar a constituição para permitir a reeleição.

Apesar do favoritismo de Lugo nas pesquisas, Wagner Enis ainda aposta em vitória de Blanca Ovelar. Isso porque no Paraguai o voto é facultativo e a mobilização do Partido Colorado para que seus eleitores compareçam às urnas é mais eficiente que da oposição. ?A adesão do eleitorado vem diminuindo a cada eleição. Para esse ano espera-se que, no máximo 55% dos eleitores realmente votem. Para o Lugo ter chances de ganhar, terá de mobilizar mais de 70%?, comentou.

Para ele, uma disputa interna acirrada entre Blanca e o ex-vice-presidente Luiz Castiglione pela candidatura à presidência dividiu o partido no final do ano passado. ?E é isso que faz a oposição sonhar com a vitória?. Apesar disso, Wagner acredita que o Partido Colorado conseguirá, com tranqüilidade, manter a maioria no parlamento e eleger o maior número de governadores.

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Para Wagner, Fernando Lugo, que recebe auxílio do secretário de Comunicação do Paraná, Airton Pisseti, cometeu uma falha comprometedora nesta reta final de campanha ao não comparecer, nesta semana, a um debate promovido pela televisão paraguaia. ?No Paraguai não há essa cultura do debate e todos aguardavam por essa novidade. A ausência do Lugo frustrou a todos e o mediador, Humberto Rubin, conceituado jornalista do país, o chamou de covarde e despreparado. Isso pode repercutir?, disse.

Já Sidney Ferreira Leite, aposta na vitória de Lugo por acreditar que os candidatos de centro-direita, Blanca Ovelar e Lino Oviedo (Unace) vão acabar tirando votos um do outro, mas admitiu que podem ocorrer surpresas na apuração dos votos, ?o que seria, no mínimo, estranho?. A campanha presidencial no Paraguai é a mais disputada dos últimos anos, com troca de acusações entre os candidatos e suspeita de fraudes, como o registro de eleitores com mais de 110 anos de idade e a desconfiança contra as urnas, que fez o país abrir mão da eleição por urnas eletrônicas (cedida pelo Brasil) devido à insinuação da oposição de que estas já chegavam no Paraguai adulteradas. 

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