A abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras teria resultado prático zero, avalia o vice-presidente da República e presidente de honra do PMDB, Michel Temer. Para ele, o interesse em abrir a investigação só pode ter razões eleitorais.

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“Eu sou contra a abertura (da CPI) por uma razão jurídica óbvia”, disse o vice-presidente nesta sexta-feira, 04, a um pequeno grupo de jornalistas em Nova York, onde veio fazer duas apresentações para investidores e economistas estrangeiros. “O objetivo de uma CPI é apurar os fatos e encaminhar ao Ministério Público para que verifique se deve abrir ação penal ou não. No instante em que a Política Federal e o MP já abriram um inquérito, qual a razão para uma CPI? Só pode ser uma razão eleitoral, não há outra”, afirmou o vice-presidente. “O resultado prático dela é zero, é nenhum”, afirmou aos jornalistas.

Para Temer, os problemas da Petrobras com a compra da refinaria em Pasadena não devem ter maiores repercussões na campanha eleitoral e nem ter impacto negativo na imagem de gestora da presidente Dilma Rousseff (PT). Em primeiro lugar, disse o vice-presidente, o conselho de administração da petroleira não era formado apenas por Dilma. “Havia figuras exponenciais do empresariado brasileiro e da administração pública e todos eles votaram a favor”, diz ele. Além disso, havia pareceres favoráveis à compra.

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O outro ponto é a questão social, com a melhora de renda da população. “O governo está fazendo muito pelos carentes, a ascensão social no Brasil ainda é uma realidade. Além disso, o governo não está se descuidando das classes empresariais”, disse Temer.

Para o vice-presidente, Dilma aumentou recentemente as reuniões com o empresariado brasileiro e deveria fazer mais encontros. “O Lula tinha um jeito mais de aproximação. Ela tem um jeito mais de quem gerencia fortemente o Estado brasileiro. Acho que ela deve programar mais encontros com os empresários, acho que ela impressiona muito bem (nas reuniões). E acho que ela vai fazer isso ao longo deste ano.”

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Ibope

Temer minimizou os resultados da última pesquisa do Ibope, que mostrou queda da aprovação de Dilma. “A pesquisa de hoje não é a pesquisa de amanhã. O fato de cair 4, 5 pontos não significa nada nesse momento. Eu reitero: em junho (de 2013) ela veio pra 30 pontos, depois voltou para 47. Nós vamos conversar sobre pesquisa no dia 4 de outubro”, afirmou.

O vice-presidente fez uma palestra na manhã desta sexta, na qual falou das ascensão social do Brasil e na parte de perguntas e respostas foi questionado sobre o rebaixamento do rating soberano do país, mas não sobre a Petrobras. Temer avalia que como não houve perda do grau de investimento, o impacto é menor na imagem do País. “Nesse momento não afeta, não há consequência direta”, disse depois aos jornalistas. “Você vê uma notícia de que está todo mundo desestimulado (com o Brasil) e, ao contrário, você vê investidores aplicando. Por isso eu acho que não há repercussão negativa para o Brasil”, disse ele, destacando que participou no último mês da inauguração de dois grandes projetos, um deles da BMW.

Na segunda-feira, 07, Temer fará nova palestra em Nova York. Segundo ele, a ideia é passar uma boa imagem do Brasil, de um país que respeita as regras e contratos. “Uma coisa é a conjuntura, a outra é o aspecto global do País.”