O governador eleito do Paraná, senador Roberto Requião (PMDB), afirmou ontem, em Bogotá, na Colômbia, durante a vigésima reunião ordinária do Parlamento Andino, que a criação da Alca, nos moldes propostos pelos Estados Unidos, vai enfraquecer o Mercosul e conseqüentemente a economia dos países que o compõem. “No médio e no longo prazos a implantação da Área de Livre Comércio das Américas tende a enfraquecer o Mercado Comum do Sul pelo poder de atração da mais forte economia mundial, a norte-americana, em parte graças ao poder de barganha dos seus mercados setoriais num cenário de livre competição com seus similares, brasileiro, argentino, uruguaio e paraguaio ou qualquer outro dos sistemas de blocos econômicos sul-americanos”, afirmou Requião.

Requião participa da sessão do Parlamento Andino, bloco econômico formado pela Colômbia, Venezuela, Peru, Equador e Bolívia, na condição de presidente da Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul. Ele foi convidado a participar como comentarista dos principais painéis do encontro. O governador eleito do Paraná defendeu ainda que todas as discussões sobre a Alca ocorram dentro dos parlamentos dos países americanos, como os grandes fóruns para tratar dessas questões.

Isolados

“Ao contrário da tradição norte-americana de mais de dois séculos, de entregar as decisões finais de comércio exterior ao Congresso dos Estados Unidos, as negociações da Alca têm se esforçado por manter os legislativos dos países convidados a ela se integrarem isolados dessa discussão”, destacou Requião.

Para o governador eleito do Paraná é possível revolucionar a discussão sobre a criação da Alca se a legislação for no sentido de tornar obrigatório no interior das casas legislativas todo e qualquer projeto de acordo, convênio ou tratado sobre comércio exterior. Ao justificar essa postura, Roberto Requião lembrou os representantes do Pacto Andino que o impasse vivido hoje na Alca está em torno dos subsídios norte-americanos a produtos agrícolas que não conseguem competir em igualdade de condições com os fatores de produção à disposição dos países-membros do Mercosul nesse campo. Requião lembrou que o Brasil já preparou um estudo sobre a competitividade das cadeias produtivas brasileiras frente às negociações de comércio em que o País está engajado, as realizadas na OMC, o acordo entre o Mercosul e a União Européia e a discussão que têm como objetivo a implementação da Área de Livre Comércio das Américas. “Esses estudos revelam que alguns setores terão ganhos, porém outras áreas de nossa economia terão que se preparar para a competição. Acredito que a Comunidade Andina terá que enfrentar os mesmos problemas que o Mercosul frente à Alca e o papel dos legislativos locais não pode estar ausente das negociações que ultimam a sua criação e implantação no curto e médio prazos”, destacou Requião.