Foto: Chuniti Kawamura/O Estado
Recado de Raul Pont, dirigente nacional do PT, aos peemedebistas: ?Coalizão, se é para não dar certo, é melhor não fazer?.

O secretário-geral do Partido dos Trabalhadores (PT), Raul Pont, disse ontem em Curitiba que ?coalizão não é um condomínio em que se distribuem cargos. Coalizão, se é para não dar certo, é melhor não fazer?. Pont disse que continua crítico em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas muito menos do que em 2002. No entanto, sobre a coalizão ele diz que ?este é um tema em que deve ser cobrada coerência?.  

Raul Pont alertou que existe uma orientação no governo sobre a questão de coerência. E esta questão da orientação foi apresentada ao PMDB. ?Se ele está entrando no governo, é porque está sabendo disso. O Lula, por meio do Tarso Genro, colocou sete pontos básicos para a coalizão. E isso deve ser respeitado nacionalmente?, disse.

?Estou mais otimista agora, justamente por causa disso, mas não parei de ser crítico. Não quero uma solução mágica e imediata. Quero, no mínimo, uma tendência de comportamento e que o governo Lula ajude a construir partidos nacionais. Hoje, nos estados, vale tudo?, disse.

E a cobrança sobre como a coalizão vai funcionar passa pelos partidos, na opinião de Pont. Mesmo que um partido tenha o mandato de presidente, ele não pode ficar subordinado. ?O papel do partido passa pelo que o próprio Lula falou na última semana. Ele quer que o PT dê exemplos, tome a iniciativa, tenha uma relação propositiva com o governo. A presença do partido no governo é grande. Grande parte do ministério é do governo. Mas o partido tem que cobrar e não pode ser considerado oposição?, avalia.

Pont acredita que o real papel dos partidos está esquecido. As entidades não servem apenas para eleger candidatos. A cobrança deve ser exercida plenamente porque, se isso não acontecer, o governo vai empurrando para depois pontos importantes, principalmente quando há resistência. ?Se ninguém cobra, o governo vai empurrar com a barriga pelos 4 anos. O partido também tem que controlar o eleito. Hoje, o controle fica a cargo de Deus?, diz Pont.

Para o secretário-geral do PT, além desses pontos, um outro desafio de Lula no próximo mandato é colocar na prática o discurso da vontade de o País voltar a crescer mais de 5%. E, para isso, seriam necessárias medidas concretas, que vão sofrer resistência. Uma delas seria o corte nos juros. ?Não tem mais como manter um superávit primário que retira recursos. É um ciclo virtuoso, que a economia pode ter quando destrava?, conclui. Pont ainda comenta que a reforma política precisa ser feita imediatamente. ?Estas eleições mostraram que o sistema político bateu no teto. Eu me sinto constrangido de o presidente ter conseguido 58 milhões de votos e não ter governabilidade. Esta é uma questão imediata. Este será o primeiro grande teste dos aliados?, revela.

Pont também disse que o governo Lula tem uma dívida com o povo brasileiro. Para ele, é preciso reconhecer que a maior parte dos eleitores deu uma segunda chance ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E, por isso, o povo deve ser ouvido. ?As crises de 2005 e de agora quase levaram o PT a uma derrota. O povo deu uma segunda chance e não vamos criar um mecanismo em que a população possa se expressar diretamente? Isto é uma dívida. Alguém de fora tem que lembrar disso?, afirmou.