O ex-governador de São Paulo Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB, afirmou em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que a presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) começou este segundo mandato montando uma estrutura de poder de forma a evitar um processo de impeachment. Segundo ele, a petista quer fazer a Presidência da Câmara dos Deputados, porta de entrada de um pedido do gênero, e montou sua estrutura de governo com essa prioridade.

Indagado se o PSDB já trabalha com essa perspectiva, Goldman foi cauteloso. “Falo de impeachment com a tranquilidade de uma matéria que faz parte da Constituição, nada fora da lei, é tudo dentro da lei. Fora da lei nós não fazemos e não queremos absolutamente nada, mas dentro da lei queremos usar todos os instrumentos para avançar e, eventualmente, mudar o governo deste País. E complementa que hoje “ainda não há base” para entrar com um pedido deste tipo.

Apesar da cautela, o ex-governador disse que a presidente sabe do sentimento crescente de insatisfação da população, sobretudo com os rumos da economia. “O desgaste dela é muito forte e ela sabe que ganhou as eleições em condições excepcionais, sem os votos do Brasil produtivo. Se for mantido este sentimento da população e se a sua política econômica não tiver resultado a curto prazo, ela poderá ser submetida a um eventual processo de impeachment, então o governo foi montado para evitar esse risco.” E complementa: “A vitória de Dilma não ocorreu por fraude, mas por farsa, pois (PT) fez a população acreditar que poderia ter perdido os benefícios dos programas sociais caso ela não ganhasse as eleições.”

Segundo Goldman, justamente para não correr o risco de um cenário ainda mais deteriorado na economia é que a presidente escalou o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para anunciar as tais medidas impopulares que o governo precisa implantar para corrigir o seu rumo. “Até parece que é o Levy quem faz tudo e ela não comanda tudo isso”, diz, emendando que o novo titular da Fazenda poderia também ter um papel de destaque na Esplanada dos Ministérios, caso o PSDB conquistasse a Presidência da República.

Guerra

Ainda nas críticas à presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente nacional do PSDB diz que a Operação Lava Jato é um agravante adicional para o governo petista. “Isso não é só com a Petrobras, vai se espalhando por outras áreas da administração também.” Indagado sobre nomes de correligionários tucanos que apareceram nessas denúncias, como o do falecido ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra e do ex-governador de Minas Gerais e senador eleito Antonio Anastasia, Goldman diz que com relação a Anastasia, não acredita nas denúncias. Contudo, com relação a Guerra, apesar do respeito por sua memória, diz não ter dúvidas quanto à confissão do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, pois ela foi decorrente da delação premiada.

“Infelizmente o nome de Sérgio Guerra apareceu na delação premiada do ex-diretor Petrobras, vou respeitar a memória do Guerra, mas não tenho dúvidas quanto à confissão da delação premiada”, disse o ex-governador de São Paulo, dizendo que seu partido pode ter pessoas envolvidas em situações inaceitáveis, mas nada comparável ao que ocorre no PT. “É diferente do que ocorreu no PT, que foi envolvido integralmente, com sua direção, no escândalo. O PT foi tomado pelo processo de corrupção.”

Ao falar do partido adversário, Alberto Goldman diz que a entrevista que a senadora Marta Suplicy (PT-SP) concedeu ao jornal O Estado de S. Paulo, é uma prova do que ocorre com a legenda. “Marta disse a verdade nessa entrevista.” Na sua avaliação, ainda é difícil prever o impacto que essas declarações terão na sucessão à Prefeitura de São Paulo, mas garante que seu partido não tem a intenção, à exemplo de outras siglas, de abrigar a petista. “Acho impossível uma aproximação dela com o PSDB porque precisamos ter o mínimo de coerência.”

Sucessão

Sobre a sucessão presidencial de 2018, Goldman falou ao Broadcast Político que seu partido tem grandes nomes para essa disputa, como o senador mineiro Aécio Neves, que foi derrotado no pleito de outubro, mas obteve uma votação história de cerca de mais de 50 milhões de votos, e o governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin. Ele evitou, contudo, dizer qual dos dois nomes é o mais cotado para a disputa, alegando que o PSDB precisa vencer primeiro os anos de 2015, 2016, 2017 e, obviamente 2018.

Na sua avaliação, Aécio deverá continuar presidindo a legenda – o processo de escolha da nova executiva ocorrerá em maio deste ano. Questionado sobre o papel do PSDB na oposição ao governo petista, Goldman disse que não é o partido que está mais aguerrido, pois sempre manteve sua luta neste campo. “Acredito que é a população que está mais aguerrida.”