Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha classificado como "insensatez" a possibilidade de mudança constitucional para a disputa de um terceiro mandato, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Geraldo Lyrio Rocha, afirmou nesta segunda-feira (5) que "é preciso que a sociedade brasileira se manifeste" sobre o assunto. Classificando a discussão como uma questão "eminentemente política", d. Geraldo Lyrio destacou que a CNBB não tem nenhuma posição definida. Mas cobrou um posicionamento dos partidos políticos e o exame pelo Congresso Nacional.

"E, sobretudo, numa questão dessa natureza, é preciso que a sociedade brasileira se manifeste", ressaltou, após um encontro com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), no Palácio da Liberdade.

Ao comentar a polêmica envolvendo uma eventual possibilidade de Lula disputar um terceiro mandato, o religioso observou que é necessário "fortalecer as estruturas de participação dos cidadãos" na sociedade. Ele afirmou que apesar de serem eleitos, os políticos "não substituem a sociedade". "Mas as instituições, os organismos, a sociedade civil precisam se manifestar e participar nessas discussões".

CPMF – D. Geraldo Lyrio foi questionado sobre a proposta de prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e manifestou concordância com a aprovação da emenda constitucional caso a parcela de sua arrecadação que vai para a saúde seja ampliada. Segundo ele, a Igreja olha a questão "sob o ponto de vista da ética". E a principal preocupação é em relação à destinação dos recursos arrecadados.

"Enquanto tal, (a CPMF) é até uma forma de participação proporcional. E se a destinação for justa, especialmente obedecendo os critérios para os quais ela foi criada – que era o campo da saúde – e se puder até ampliar para outros campos sociais, é claro que a posição da Igreja só pode ser de apoio".

O presidente da CNBB – que também é arcebispo de Marina (MG) – foi condecorado nesta segunda-feira com as Medalhas da Inconfidência e Santos Dumont, oferecidas pelo governador mineiro.