O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) entregou à Polícia Federal, na última quinta-feira (dia 10), certidão do Palácio do Planalto para tentar neutralizar acusação contra ele feita pelo empresário Marcos Valério, operador do mensalão. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), no dia 24 de setembro, Valério afirmara que ele e Palocci participaram de reunião, em 2005, com o então presidente Lula no Planalto e com o presidente da Portugal Telecom, Miguel Antônio Igrejas Horta e Costa, para tratar do repasse de recursos ilícitos para o PT, no montante de R$ 7 milhões.

A defesa do ex-ministro apresentou à PF um documento subscrito por Giles Carriconde Azevedo, chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, em que ele atesta que “nos registros existentes não consta qualquer informação acerca da realização de audiência ou reunião na qual tenham participado o sr. presidente Lula, o sr. Antonio Palocci e o sr. Miguel Horta”.

Para o criminalista Marcelo Leonardo, defensor de Marcos Valério, o alcance do documento é questionável, já que várias agendas de ministros no Planalto não são divulgadas. “O fato de não haver registros da reunião não significa que ela não ocorreu. Historicamente há informações de reuniões sem registro no Palácio.”

Em 2008, por exemplo, a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira revelou ter participado de um encontro com a então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff em que fora discutida uma pendência sobre fiscalizações do Fisco envolvendo Fernando Sarney, filho do então senador José Sarney. O Palácio e Dilma negaram o encontro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.