Afastado de suas funções desde o dia 20 de fevereiro, quando passou mal com o agravamento de um problema na próstata, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, pretende voltar efetivamente ao trabalho, em Brasília, na próxima segunda-feira, dia 13. Enquanto isso, mesmo internado no hospital em Porto Alegre, onde foi submetido a uma cirurgia, na semana passada, o ministro despacha, por telefone, e tem conversado diariamente com o presidente Michel Temer.

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Para o Planalto, Padilha é considerado uma peça fundamental no momento em que o governo começa a tocar, de fato, a reforma da Previdência. Por enquanto, a negociação política com os parlamentares, que tinha Padilha à frente, está a cargo do próprio presidente.

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Desde domingo, Temer está comandando as conversas com o Congresso e promoverá jantares, almoços e recepções para “convencer” deputados e senadores da importância da aprovação, não só da reforma da Previdência, como também da trabalhista. O primeiro encontro ampliado com os líderes da base aliada foi feito na noite desta segunda-feira, 6, no Palácio da Alvorada.

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A situação política de Padilha se complicou na semana passada, depois de o executivo Marcelo Odebrecht, herdeiro e ex-presidente do grupo que leva seu sobrenome, dizer em depoimento que tratativas para repasse de recursos para a campanha eleitoral de 2014 foram feitas com o ministro. Padilha já enfrentava desgaste com o depoimento espontâneo do amigo e ex-assessor especial de Temer, o advogado José Yunes. Ao Ministério Público Federal (MPF), Yunes afirmou ter servido de “mula involuntária” do ministro ao receber, em 2014, um “pacote” do lobista Lúcio Funaro, investigado na Lava Jato.

No Planalto, há pressão para que o ministro seja afastado do cargo.

Apesar de inicialmente a previsão fosse de que Padilha deixaria o hospital somente no sábado, a expectativa é de que consiga sair já na quarta-feira, 8. Por isso, Temer não pretende nomear um interino para seu lugar.

Todos os dias, além de conversar com Temer, Padilha despacha também, por telefone, com seu secretário executivo, Daniel Sigelmann, para tratar de questões de governo. O presidente já conversou com Padilha sobre o depoimento de Yunes. Temer tem dito que está deixando a questão “temporariamente” de lado e focando nas discussões das reformas.

Em mais uma demonstração de que Padilha não é carta fora do baralho para o Planalto, a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que será realizada nesta terça-feira, 7, no Planalto, com a presença de Temer, não terá um substituto do ministro na reunião. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.